01 julho, 2014

POR QUEM COCHILA O POVO DA ESTUFA






No Roda Morta (ex-TV Cultura) estão discutindo os 45 da referida. Para quem acompanha a emissora desde os Anos 70, é triste constatar que ela, hoje, tem menos liberdade de opinião que ao tempo de Quércia e Maluf. Os tucanos, a partir de Mário Covas (faço questão de deixar claro) conseguiram ir mais fundo, arrastando esta ex-jóia da comunicação para o lodo.
Não é fácil ouvir José Giannotti (é assim que se escreve?) dizer que os militares tinham mais caráter que os políticos de hoje, pois prometiam matar e matavam, mesmo.
Ouvi um tal José Petry (da Veja, só podia ser!) afirmar que nos EUA, ao contrário do Brasil, a Comunidade interfere na Política. Putz! Será que na redação deste energúmeno (quem não souber o significado, que googueie) nunca citaram um tal de Edward Snowden?!
Ouvindo uma alcatéia de reaças como esta, chego a sentir remorso de tripudiar com o pessoal que cochila na estufa. Pra onde mais poderiam ir, se estes são os seus alimentadores mentais?
Hector Babenco? Confira que pérola que tascou: "não existe imprensa brasileira contra o governo".  "[A imprensa] é extremamente submissa, sem nenhuma responsabilidade com a verdadeira função jornalística". Será que se referiu à ex-TV Cultura ou à GloboVeja?
Enfim, do pequeno trecho que assisti, salvou-se a Glenda Mezarobba. Ela perguntou ao Janota, que havia afirmado que o caráter dos políticos brasileiros deteriorou, se este caráter era melhor antes, ao Respondo eu mesmo: para um tucano, a pior coisa é ouvir comparações. Né, não?


A quem interessa possa, o programa também pode ser visto no TV CULTURA CMAIS

15 junho, 2014

MEMÓRIA SELETIVA


Dentre alguns mitos desenvolvidos pela minoria que usufrui o que é gerado pela maioria – como, por exemplo, a teoria na prática é outra – temos um muito difundido e acreditado em Pindorama: o brasileiro não tem memória. E o brasileiro, em geral, quase chega a ter prazer nesta crença, pois, como não tem memória, não pode ser responsabilizado pelos seus atos. Obviamente, alguém ganha com isto. Mais óbvio ainda, embora boa parte da população prefira não perceber, é que a minoria é quem ganha.
As reações em relação à abertura da COPA DO MUNDO DE 2014, realizada no Brasil, confirma uma tese: o brasileiro tem, sim, memória; a questão é que esta memória é seletiva. Alguém ou algum grupo, em algum lugar, controla o seletor do que deve fazer parte memória da memória do brasileiro. Escolhe o que deve ser lembrado ou eclipsado. Em "1984", GEORGE ORWELL trata desta questão. Sem querer provocar e já provocando, os fãs do BBB sabem quem é Orwell?
Que a cerimônia de abertura foi chinfrim, fica difícil de discordar. Porém, bradar aos quatro ventos que teríamos o maior espetáculo da Terra caso tivessem contratado algum Joãozinho Trinta ressuscitado, é mergulhar de vez nas sombras que pululam no fundo da CAVERNA PLATÔNICA. Vejamos algumas razões?
1. Uma razão estrutural: como ficaria o gramado onde, a seguir, seria realizado o jogo inicial do torneio?
2. Uma razão cultural: o Brasil dispõe de outros cenógrafos, diretores e coreógrafos além dos que brilham na avenida.
3. A cerimônia tinha, por força de contrato, que obedecer ao Padrão Fifa, por pior que ele seja.
Neste ponto do papo, sugiro que se compare a abertura desta copa de 2014 com a de 2006, que ocorreu na Alemanha, país considerado por muitos como exemplo a ser seguido, apesar dos feitos da Siemens & ACMelhados. Experimente à vontade e tempere a gosto.


Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas)

25 maio, 2014

POR QUE MATAR UM HOMEM?



Em GRAND CANYON uma das personagens diz à outra que as respostas estão nos filmes. Não é um dos clássicos da filmografia mundial, mas a afirmativa pode ser conferida em qualquer um dos grandes filmes. Ontem, após mais uma sessão do 18º FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul, festival que acontece anualmente em Florianópolis, do qual sou fã desde 2003 quando o conheci, lembrei-me da importância do cinema como meio de responder aos dilemas humanos. “Explicar não significa “dar de mão beijada”. O cinema, como toda Arte – atenção à maiusculidade da inicial – propicia o caminho para a lavra. O caminhar, ou a vontade de, para este garimpo das respostas depende da curiosidade e, principalmente, da recusa em aceitar o que é oferecido “de bandeja”.
O filme MATAR A UN HOMBRE, de Alejandro Fernandez Almendras, que assisti ontem, trata de um comportamento que existe, talvez, desde que o Mundo é mundo: o de justiçar com as próprias mãos ao invés de recorrer e, principalmente, aguardar pela Justiça regulamentada do Estado. Simplificando a história: Jorge, um pai de família trabalhador, tem suas vida e a de sua família infernizada por um grupo de vagabundos que moram perto de seu lar. Sem acreditar no braço judicial do Estado, resolve tomar as providências que julga necessárias e imprescindíveis à paz de sua família. Depois de realizar a missão que tomou pra si, Jorge vê sua vida familiar desmoronar quando o que desejava era exatamente o contrário.
Nestes tempos em que, para alguns, há uma tentativa de transformar linchamentos em moda, pode ser interessante assistir a Matar a un Hombre. Pena que, embora tenha sido premiado como melhor drama filmado fora dos EUA pelo SUNDANCE FESTIVAL FILM não será exibido nos cinemas dos shoppings preto de sua casa. O que não deixa de ser mais uma injustiça contra a Arte.
Aliás, como alguém já disse, a Justiça não é justa. Creio que se pode incluir aí que a justiça feita com as próprias – e as próximas – mãos também não o é.


Ps. 1 - Seja fã do FAM você também. É uma das melhores coisas a se fazer em Floripa..
Ps. 2 - A imagem foi "emprestada" do blog ARTE - FONTE DO CONHECIMENTO.
Ps. 3 - Saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).