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08 março, 2016

NAVALHA NO CERNE



Neste vosso dia, um poemeu dedicado àquelas que lutam.

NAVALHA NO CERNE

“...mas minha nega
é exatamente porque sei
das tuas dificuldades
dos riscos que corres
        (e tanto por tão pouco)
em tuas rondas noturnas
oferecendo pelas esquinas
este corpinho que deus fez
e muitas vezes
em troca
recebendo apenas porradas

neguinha
é por isto que tou aqui
pra te proteger desses jacks
que te seguem pelas madrugadas
te espreitam nos becos das viaturas

eu
que sei dos teus mais íntimos sonhos
mesmo quando te calas
pô neguinha...
sem sacanagem...”

amantes...
palavras cada vez mais sussurros
o vício e o sofrer...

amantes?!

olhares
silêncio
pensamentos
a brisa garoenta agita a cortina
momentaneamente
o neon do hotelzinho de família
invade a penumbra

algo mais brilha na alcova

ZZZAPT!

enfim
os dentes do cordeiro
alcançaram a garganta do pastor/lobo

antes do rubro sorriso tingir o chão
resoluta
posta-se Margot atrás da porta
bem sabe que ainda não é tempo

de limpar a lâmina


Ps.: imagem emprestada de JUNIÃO.

08 março, 2012

DO MEU JARDIM PRAS GURIAS

Antigamente, muito antigamente, eu dizia:
- A mulher manda e o caboclo obedece se tiver juízo!
O tempo passou, prestei mais atenção ainda a estes seres imprescindíveis e lapidei a tese:
- A mulher manda e o caboclo, se tiver juízo, procura obedecer; se tiver talento, talvez consiga!
Eu, cá, com minhas duas Bunitinhas, tenho me esforçado. Claro que não sei se elas concordam com isto, né mesmo?
Enfim, mesmo sabendo que todos os dias são das mulheres - só gente besta não sabe disso - aí vai um presentim àquelas que têm coragem de ir à luta. Porque mulher que não vai à luta está devendo ao gênero.
Compus esta brincadeira há algum tempinho, mas é assim que continuo sentindo.
{8¬)



JARDIM

Sabe, como as outras, que desfruta do mais
belo jardim e que o bondoso
jardineiro jamais deixaria
alguém lhe arrancar
uma pétala sequer.

O canteiro fica em frente à janela da
menina mais romântica da aldeia.

O seu mais profundo desejo é ser levada
para o pequenino vaso de
porcelana branca com passarinhos
azuis e amarelos
posto sobre o criado mudo,
ao lado da cama, cujos lençóis
exalam as mais finas
fragrâncias de colônia
e platônicas paixões
arrebatadoras.


Ah... aquele brilho que suas pupilas irradiavam
quando, ao chegar do colégio,
jogava-se sobre a cama,
abraçada à almofada, em meio
a murmúrios e suspiros profundos.

Tudo o que quer nesta vida é trocar a segurança
das mãos do velhinho e os beijos
profissionais das abelhas e borboletas
pelo suave roçar daquela pele aveludada
ou, pelo menos, um simples olhar.

Todas as outras, como soe acontecer, repreendem-na,
meneando suas corolas ao vento, por esta
inconseqüência adolescente de sonhar
em abandonar a terra fértil do canteiro,
o regador infalível etc.

No entanto, lá no íntimo, todas sabem que a vida é uma
só.

10 março, 2011

DIA DAS MULHERES (MAIS UM)

Mesmo que atrasadim, quero postar um poema composto em agradecimento a estas criaturas (e criadoras) sem as quais nada do que há, haveria: as gurias.
Desejo que gostem.
{8¬)


"pra tu vê

deus
um cabôco de muita paciência
(um trem que poderia ter feito num vapt-vupt
acabou por levar uma semana da sua santa eternidade!)
fez o mundo e as coisas todas:
as paradas, as móveis e as imóveis
fez o homem
(os imóveis inventaram os automóveis)
e de uma lasca deste
fez a mulé

pronto o serviço
deu um passo pra trás
enxugou o suor da testa
(embora o sol só tivesse uma semana de brilho
tava de rachar mamona)
admirou aquela sua obra-prima
(até pensou umas besteiras mas...)
sorriu satisfeito e disse:
- cuida deste trem todo pra mim, minha filha

no sétimo dia
criou as férias e partiu pra curtir uma ilha famosa
chegou a ser visto flanando pela noite do centrinho da lagoa
(embora ninguém o tenha fotografado
há quem jure ter ouvido um cabel(barb)udo exclamar
ao ver um semelhante a enfiar sementes num barbante:
- jisuis! haja paciência!)

tava feito o paraíso

não fosse este bando de cornos
(alguns estabelecidos
outros candidatos a)
que teimam em não obedecer as gerentas
a gente tava nadando de braçada"


Ps.: talvez eu até já esteja repetindo este poema aqui no blog; de toda maneira, aí vai novamente.


08 março, 2010

DIA DAS MENINAS

Porque todo dia é dia das meninas, porque tudo vem das meninas, porque somos todos das meninas, neste dia e todo dia, aí vai uma brincadeira que compus para elas. Elas que nos fazem navegadores no mar das procelas, como afirma GILBERTO GIL na canção ELA, do disco REFAZENDA.
Marmanjos, rendamo-nos a elas!
{8¬)

PRA TU VÊ

deus
um cabôco de muita paciência
(um trem que poderia ter feito num vapt-vupt
acabou por levar uma semana da sua santa eternidade!)
fez o mundo e as coisas todas:
as paradas, as móveis e as imóveis
fez o homem
(os imóveis inventaram os automóveis)
e de uma lasca deste
fez a mulé

pronto o serviço
deu um passo pra trás
enxugou o suor da testa
(embora o sol só tivesse uma semana de brilho
tava de rachar mamona)
admirou aquela sua obra-prima
(até pensou umas besteiras mas...)
sorriu satisfeito e disse:
- cuida deste trem todo pra mim, minha filha

no sétimo dia
criou as férias e partiu pra curtir uma ilha famosa
chegou a ser visto flanando pela noite do centrinho da lagoa
(embora ninguém o tenha fotografado
há quem jure ter ouvido um cabel(barb)udo exclamar
ao ver um semelhante a enfiar sementes num barbante:
- jisuis! haja paciência!)

tava feito o paraíso

não fosse este bando de cornos
(alguns estabelecidos
outros candidatos a)
que teimam em não obedecer as gerentas
a gente estaria nadando de braçada



Ps.: como sempre, há muitas informações nos hyperlinks (palavras realçadas); clique e confira: tem até discos de presente.