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10 dezembro, 2013

CULTURA: O QUE VOCÊ TEM A VER COM ISTO?

Hoje tem:

O papo é diretamente dirigido ao pessoal envolvido na produção audiovisual no âmbito do Município de Florianópolis. Entretanto,  talvez tenha a ver com todo mundo de todo o Mundo.  E por que digo isto?
O que você tem a ver com CULTURA? Já se perguntou sobre isto? O que sente quando ouve alguém a dizer que fulano ou sicrano não tem cultura? Você se considera alguém que tenha cultura?
O artigo/desabafo abaixo transcrito é de EDUARDO PAREDES que, pelo jeito, ainda pratica a NOVEMBRADA. Foi publicado no caderno de cultura do Diário Catarinense em 30/11/2013. Mesmo que você, caro leitor, pulule em outras regiões que não seja nossas belas e desamparadas Floripa e Santa Catarina, o teor pode ser muito útil como peça instigadora à ação.
Deixe a preguiça de lado, só um pouquinho, e leia junto. Sugestão: não tire as crianças da sala; ao contrário, leia em voz alta para elas.. A vida delas tem muito a ver com tudo isto.


A morte do poeta e os ecos da “novembrada”

 

Historicamente Santa Catarina é um estado privilegiado, como poucos, em termos de produção cultural. A pluralidade e diversidade desse patrimônio imaterial advêm, acredito eu, de um encantamento com suas belezas naturais e do encontro das inúmeras etnias que se espalham por todo o território catarinense. Por isso mesmo, é absolutamente inadmissível que a Cultura continue sendo (mal) tratada como peça assessória no contexto das políticas governamentais. Essa riqueza artística e cultural acumulada é que dá identidade ao povo catarinense. No entanto, infelizmente, o setor cultural vem lutando para sair do plano do supérfluo e ganhar a importância que lhe é devida.

Em termos de política pública cultural o que constatamos é um estado de abandono, desrespeito e contínua omissão. Há muitos anos a Cultura foi embrulhada num mesmo pacote com o Turismo e o Esporte, compondo uma Secretaria que já se chamou SOL – Secretaria da Organização do Lazer, inspirada nas teorias do “ócio criativo” do sociólogo italiano Domenico De Masi.  Qual o sentido de se "organizar o lazer" e de se pregar o "ócio criativo", especialidade na qual boa parte dos nativos da Ilha de Santa Catarina são PHD?Parece piada, mas não é.

Tendo recebido como herança maldita do seu antecessor, o atual governador manteve intacta a estrutura de Governo que, a par das chamadas Secretarias Centrais, sustenta a paquidérmica coleção de quase 40 Secretarias de Desenvolvimento Regional. Qualquer cidadão com um mínimo de bom senso, informação e cultura reconhece que esse modelo condena o Estado a uma situação de profunda anemia financeira. É cristalino que essas SDR somente existem para acomodar cabos eleitorais e que a descentralização poderia muito bem ser executada através de Coordenadorias, Diretorias ou Gerências. Mas quem se atreve a cortar as benesses, mordomias e privilégios contidos no status de Secretaria? Por que arriscar a base de sustentação política que assegura a continuidade no poder? Ninguém é bobo – somente o povo, o contribuinte, que paga a conta.

É triste reconhecer que o Governo do Estado, tão pródigo na criação e manutenção de tantas Secretarias, não dê autonomia e independência para esses três setores importantíssimos, que são o Turismo, o Esporte e a Cultura. Não há como reconhecer a importância do Turismo para a economia do Estado. Mas esse setor também não consegue se desenvolver e expandir suas potencialidades da forma como está situado. As demandas do Turismo são vastas e complexas e precisam de um planejamento próprio. O mesmo vale para o Esporte e a Cultura, que são determinantes para uma política pública séria que pensa em formação de cidadania e inclusão social. Se em determinado momento o Turismo se entrelaça com a Cultura, essa área de convergência é ínfima para justificar tal atrelamento. Arrisco dizer que de cada mil turistas que visitam o Estado, depois da praia menos de uma dúzia procuram por um museu, teatro ou galeria de arte. O destino natural são os shoppings, bares, restaurantes e baladas. Isso é óbvio.

A Cultura padece ainda mais por esse equívoco administrativo, pois sobrevive à sombra do Turismo. As casas de cultura e espaços culturais vivem à míngua. Os artistas há muito foram deserdados, com os poucos editais públicos de fomento às atividades artísticas sendo ano a ano empurrados com a barriga, procrastinados ou adiados. O que impera é a política neoliberal de transferência de responsabilidade das decisões sobre a Cultura para a iniciativa privada, na medida em que a principal ação de governo é induzir os produtores e agentes culturais a utilizar os mecanismos de incentivo fiscal. Isso quando o próprio Governo não compete de forma desigual com os produtores independentes, indo ao mercado captar patrocínio para seus próprios projetos, como no caso emblemático da Ponte Hercílio Luz. E com isso, o que resta como marca de ação governamental são a ausência, o autoritarismo e a instabilidade na área cultural.

Na última segunda-feira, 25 de novembro, tive a honra de ser agraciado com a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Souza. A maior honraria da Cultura no Estado, algo que nunca cobicei e que jamais imaginei alcançar. Ainda tenho dúvidas se de fato sou merecedor de tal distinção. Mas como estava em ótima companhia, resolvi aceitar. Juntos estavam, in memoriam, o mestre Zininho e o escritor Holdemar de Menezes, mais o coreógrafo Amarildo Cassiano, do Ballet Bolshoi de Joinville, o cenotécnico e administrador cultural Osni Cristóvão, o historiador e fotógrafo Joi Cletison Alves, e as instituições Associação Coral de Chapecó, Federação Catarinense de Teatro – FECATE, Museu Victor Meirelles e Biblioteca Pública do Estado.  Confesso que quando o escritor Amilcar Neves, membro do Conselho Estadual de Cultura, fixou em meu peito a medalha que leva o nome de Cruz e Souza, a emoção bateu forte e invadiu a minha alma. Um momento fugaz, que ficará guardado eternamente. Só que a realidade dos fatos logo me fez trocar em parte a alegria pela tristeza, o envaidecimento pela indignação.

A começar pela consciência de que a sina de Cruz e Souza, apesar da passagem do tempo, ainda persiste entre boa parte dos que se atrevem a fazer da arte uma profissão de fé.  Gênio do simbolismo universal, maior poeta brasileiro de todos os tempos na minha modesta opinião, Cruz e Souza morreu na mais absoluta miséria. Em vida, sofreu na pele negra a rejeição causada pelo preconceito e racismo, tendo suportado a dor de ver quatro de seus filhos morrerem de tuberculose e a mulher Gavita enlouquecer aos poucos diante de tanto sofrimento, decorrente da fome e da péssima condição de vida da família. De Minas Gerais, onde havia ido buscar tratamento para a tuberculose que por fim também o levou, o corpo de Cruz e Souza foi transportado em um vagão de trem que levava gado para o Rio de Janeiro, onde foi sepultado praticamente como indigente. Bastou morrer para que a sua genialidade fosse reconhecida, sendo alçado ao panteão do simbolismo universal ao lado de Verlaine, Rimbaud e Mallarmé. Mas seus restos mortais, trasladados alguns anos atrás para Florianópolis, a sua cidade natal, entre discursos demagógicos e foguetórios, vergonhosamente continuam abandonados num canto perdido do Museu Histórico que, solene e ironicamente, também leva seu nome – Palácio Cruz e Souza.

Enquanto as medalhas iam sendo distribuídas eu me afundava na poltrona e em meus pensamentos cada vez mais cinzas. Olhando o palco do Teatro Álvaro de Carvalho, fundado em 1857 e que tantos artistas e espetáculos memoráveis acolheu ao longo de sua história, lembrei-me de que ele também, Álvaro de Carvalho, o primeiro dramaturgo catarinense, igualmente não teve o descanso eterno que merecia e o respeito que se esperava dos governantes catarinenses. Seus ossos mortais continuam abandonados em Buenos Aires, aonde veio a falecer de febre tifoide em 1865.

Pensei em Zininho, o nosso poeta maior, autor do hino oficial da capital catarinense. Enquanto sua viúva e sua filha recebiam a comenda que, em seu caso, já veio tarde, também lembrei de toda a privação que passou no crepúsculo de sua vida. O nosso maior músico, Luiz Henrique Rosa, que naquela mesma data se vivo fosse completaria 75 anos, também foi solenemente ignorado. Assim como a data litúrgica, 25 de novembro, que é dedicada a Santa Catarina - padroeira dos artesãos, artistas, bibliotecários, jovens, estudantes e desse Estado – sequer foi mencionada pelo cerimonial, num lapso imperdoável. Pior foi constatar que o desprestígio e desapreço pela Cultura catarinense se evidenciava na ausência de quem se esperava exatamente o contrário. Não apareceu nenhum senador, deputado, representante do prefeito, vereador, secretário de Estado (além do titular da pasta do Turismo, Esporte e Cultura, Valdir Walendowski),  sequer representantes das entidades culturais (com raras exceções), assim como nenhuma cobertura por parte dos jornais ou emissoras de televisão. O próprio Governador do Estado, Raimundo Colombo, que foi quem assinou a outorga da Medalha do Mérito Cultural,  vim a saber pela coluna do Cacau que naquele exato momento tinha ido ao shopping assistir a um filme depois de  dez anos sem ir ao cinema. Poderia ter esperado um pouquinho mais. Gostaria muito de ter dirigido a fala que me encarregaram em nome dos homenageados (e que reproduzo em parte nesse artigo) olhando nos olhos do nosso governador só para ver qual a sua reação e o que teria para dizer. Por isso, só tenho uma palavra para resumir o que ocorreu: lamentável! 

Ao que parece, os sismógrafos dos políticos e governantes continuam desligados. Não captaram ainda os tremores que vêm das ruas, do povo anônimo e cada vez mais impaciente. Esqueceram-se dos ecos da “novembrada” (que hoje faz 34 anos e que também deve passar no esquecimento), assim como das “diretas já”, do impeachment do Collor e até mesmo das manifestações que varreram esse país como um tornado em meados deste ano. Podia ainda lhes lembrar da revolução francesa e bolchevique, da chinesa e da cubana, com as consequências diretas para os incautos governantes que também ignoraram as vozes inconformadas que vinham das ruas. Mas prefiro mirar a outra margem: se os governantes não mudam, que se mudem os governantes. Para tanto, é necessário que o povo se mobilize, permanentemente, determinado a combater essas redes piramidais de apadrinhamento que mantêm inabaláveis as estruturas desgastadas do poder e que permitem aos seus ocupantes manterem por longos períodos o estamento e o status que lhes asseguram as benesses e as vantagens que ele, o povo, banca. Mas para isso é preciso liberdade de informação e um processo contínuo de cidadania, educação e inclusão cultural. 

Ainda haverá o dia em que o slogan para esse nosso Estado, muito mais do que uma mera peça publicitária artificial, mas como reflexo concreto de um pacto pela Cultura entre governo e sociedade, seja de verdade “Santa, Bela e Culta Catarina”!

07 março, 2013

FORA ELEITOR?!



Passada a modinha do #ForaRenan, tentarei conversar sobre o assunto sem provocar a bronca dos amigos, dos inimigos (tenho algum?) e dos nem tanto. Enquanto não surge outra...
Hey ho, Let’s go!
RENAN CALHEIROS (PMDB-AL) foi eleito para o Senado em 2010. Eleito conforme os mandamentos da legislação eleitoral em vigor. Simplificando: 33,42% dos eleitores alagoanos cujos votos foram válidos escolheram-no para o cargo. Então, ele está no Senado Federal por livre escolha de cerca de um terço dos eleitores alagoanos. De forma igual foram eleitos os outros 80 senadores e os 513 deputados federais. Também assim o foram governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Muitos deles, com processos até na instância criminal. Talvez você que me leia queira me retrucar que o eleitor nordestino não sabe votar. Sugiro que confira bem como foi o processo eleitoral no seu estado e na sua cidade. Independentemente de sua zona eleitoral, pode ser que o teu eleito seja uma pessoa bacana; pode ser que não. As diferenças entre os brasileiros não são tão grandes assim, por mais que sonhem bairristas & ACMelhados.
O eleitor, este ser que, o GOLPE MILITAR de 1964, entre outros episódios nacionais, eliminou temporariamente, voltou a exercer o poder de escolha de quem gere seu destino nos quesitos social, político e econômico. Esta volta não foi fácil, conforme o VÍDEO nos mostra. Aliás, é interessante como o golpe em pauta consegue ter viúvas que nem haviam nascido ao tempo de sua vigência. Pois é, o eleitorado brasileiro – que inclui, também, os que votam nulo, abstêm-se ou preferem aproveitar o dia para viajar – decide. O resultado desta decisão, como qualquer outro tipo de resultado, não agrada todo mundo. Principalmente, não agrada àqueles que se recusam a participar ativamente do processo. Já percebeu que os reclamantes, normalmente, não são aqueles que pegam o touro pelo chifre?
Enfim...
Você votou? Por que votou em quem votou? O que tem feito aquele em quem você votou?
Não votou? Por que não votou? Por que sonha acordado como um daqueles ENCAVERNADOS platônicos?
De minha parte, estou fã do eleitor. Torço para que sempre reflita antes do voto e que, principalmente, acompanhe o desempenho de seus candidatos no caso de serem eleitos. Enquanto isto, esforço-me para participar ativamente das tomadas de decisões no que diz respeito ao meu viver. Acredito que quem se coloca à margem não está livre do destino do grupo: as margens do rio são partes do mesmo.
Ou estou equivocado?

Ps.1 - o vídeo cita o filme NOVEMBRADA, de EDUARDO PAREDES. Ps. 2 - Para saber muito mais, clic nos HYPERLINKS (palavras realçadas).  

03 novembro, 2011

NOVEMBRO TAMBÉM É CULTURA

A Frente em Defesa da Cultura Catarinense é um movimento que agrega pessoas e entidades de todas as regiões de Santa Catarina interessadas em debater os rumos da Cultura no Estado e apresentar propostas que objetivem melhorias neste setor. Sendo um movimento aberto e horizontal, não é necessário autorização ou mesmo consultas para propor atividades relacionadas à sua razão de existir: a Cultura Catarinense. Por esta razão, a FDCC lança a

#NovembradaCultural
Por uma Política Pública para a Cultura

A #NovembradaCultural é um movimento aberto a todos que concordarem com o seu manifesto Por uma Política Pública para a Cultura, que está aberto a assinatura de entidades e coletivos. Para assinar, basta publicar um post de apoio ou inserir o selo (com o link) da campanha no seu site e/ou blog ou no do seu coletivo. As atividades também podem ser integradas a manifestações culturais já existentes como, por exemplo, a leitura das reivindicações expressas no manifesto antes de sessões de cineclubes, espetáculos, shows, exposições etc.

As propostas também podem ser debatidas nos mais diversos ambientes, tais como:
- na lista de e-mails da Frente em Defesa da Cultura Catarinense,
- no twitter, usando a hashtag #NovembradaCultural,
- no facebook (
http://www.facebook.com/event.php?eid=257220220995780),
- postando nas caixas de comentários do blog
http://novembrada.org/,
- inserindo o endereço do blog na assinatura dos seus e-mails,
- realizando debates sobre a Cultura em Santa Catarina em sua organização coletiva (sindicatos e associações),
- conversando sobre Cultura com seus familiares, vizinhos e colegas de trabalho.

A Frente em Defesa da Cultura Catarinense sugere que tanto a agenda da sua atividade quanto registros posteriores (textos, fotos, audiovisuais, clipagem na mídia etc) sejam enviadas ao blog da #NovembradaCultural para fins de agregação e difusão de informações.

E tem mais:
Santa Catarina está prestes a perder a integração ao SNC – Sistema Nacional de Cultura. Para reverter esta situação, produtores culturais catarinenses criaram uma petição pública pela integração de Santa Catarina ao Sistema Nacional de Cultura:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N15494
Assine e divulgue!!!