Um poema dedicado - porque, nelas, inspirado - às meninas que acreditam que Vida é Movimento.
Bejotas procês!
{8¬)
JARDIM
Sabe, como as outras, que desfruta do mais
belo jardim e que o
bondoso
jardineiro
jamais deixaria
alguém
lhe arrancar
uma
pétala sequer.
O canteiro fica em frente à janela da
menina mais romântica da aldeia.
O seu mais profundo desejo é ser levada
para
o pequenino vaso de
porcelana
branca com
passarinhos
azuis e amarelos
posto
sobre o criado mudo,
ao
lado da cama, cujos lençóis
exalam
as mais finas
fragrâncias
de colônia
e
platônicas paixões
arrebatadoras.
Ah... aquele brilho que suas pupilas irradiavam
quando,
ao chegar do colégio,
jogava-se
sobre a cama,
abraçada
à almofada, em meio
a
murmúrios e suspiros profundos.
Tudo o que quer nesta vida é trocara segurança
das
mãos do velhinho e os beijos
profissionais
das abelhas e borboletas
pelo
suave roçar daquela pele aveludada
ou,
pelo menos, um simples olhar.
Todas as outras, como soe acontecer,
repreendem-na,
meneando
suas corolas ao vento, por esta
inconseqüência
adolescente de sonhar
em
abandonar a terra fértil do canteiro,
o
regador infalível etc.
No entanto, lá no íntimo, todas sabem que a vida é
uma
só.