QUEM ESPERA...
Chove. Ponto de ônibus. Poucos veículos passam, pois é sábado – pior só aos domingos.
Faz uma panorâmica do entorno: à esquerda, pessoas pintam o que veriam no canal onde escorre água morta; à frente, árvores e pássaros comemoram a chuva sem notar que também está frio; à direita, a placa confirma-lhe que se trata de uma parada de ônibus; às costas, a biblioteca desanimada como um bar na segunda-feira.
Confere o horário. Uma ave experimenta um vôo tranqüilo e, num rasante, cruza a rua vã. Lembra-se de catracas e filas.
Duas garotas travestidas de caipiras de festa esforçam-se em se mostrar alegres, uma à outra.
Olha para o início da rua: solta mais um muxoxo ao não ver o ônibus. Olha para o céu numa tentativa de súplica: aves soltas no espaço parecem não notar a pseudo-presença de ... que suspira:
- Na outra encarnação espero nascer estilingue...
Pano lento.
UFSC, 02/07/2011