Palavras brincantes, nem sempre sisudas. Às vezes, sim. Normalmente, não. No fundo, e no raso, não passa de meu playground. Como playground não é para ser curtido sozinho, todos estão intimados. Um detalhe: este blog não faz a menor questão do novo trambique ortográfico.
Goltinho, sim ora, direis: - perdestes o senso? eu vos direi: - nem tanto:
Ficha do jogo: SANTOS F. C. 3 X CORINTHIANS 0 Local: Pacaembu Santos: Laércio; Carlos Alberto, Oberdan, Haroldo e Lima; Zito e Mengálvio; Toninho, Coutinho, Pelé e Edu. Técnico: Antoninho. Corinthians: Márcio; Jair Marinho, Galhardo, Clóvis e Edson; Dino Sani e Nair; Garrincha, Flávio, Rivelino e Marcos. Técnico: Filpo Nuñes GOLS: Coutinho: aos 20', aos 25' e aos 37' do primeiro tempo.
Taí
o poema que sempre me vêm à mente quando se fala em trabalhador, seja lá qual
for o dia do ano. Obviamente, sabemos que, segundo prega e reza o pessoal que cochila na estufa, é tudo uma questão de mérito. Aliás, à época em que eu tentava estudar História na Unicamp, emprestei o livro para que um colega de sala, professor numa escola de São Paulo, pudesse mostrar o poema aos seus alunos. Consequência: uma de suas alunas o denunciou à diretoria e ele foi demitido. Sucedeu-se nos anos 80, bem antes de "escola sem partido" passar a ser recomendação de alguns educadores.
Grande BRECHT!
PERGUNTAS
DE UM TRABALHADOR QUE LÊ
Quem
construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis:
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída
Quem a reconstruiu tantas vezes?
Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo:
Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam
gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou?
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou,
quando sua Armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias.
Tantas questões.
Ps. 1: imagem emprestada do site ambientalsustentavel.org
Ps. 2: saiba mais clicando no HYPERLINK (palavra realçada)
Oras!
Quem deve ter consciência negra são brancos e pretos de alma branca. Estes sim. Quem
explica o caso da onça é NABBY CLIFFORD, o Embaixador do Reggae:
Mudemos, pois, para Dia da Consciência Preta! É óbvio que sei que alguns dirão que EU é que sou racista. Porém, como não sou carneiro e muito menos creio que riacho corre à montante...
Já que é dia/noite de falar da lua, aí vai
um poemeu cujo cometimento iniciou-se durante um luau na Praia Mole e completou-se
em Sambaqui, de há muito. Desejo que gostem.
Como de praxe nesta data, divido este poemeu com as pessoas cujo pai já foi viajar. Parafraseando Boldrin, fora ou dentro do combinado. Poema ilustrado, como sempre, pela heraclitiana canção "Poeira". A presente versão é de CARLINHOS VEIGA. Saravá, Véi Leite!
eh meu pai!
[poeira entra em meus olhos
não fico zangado não
pois sei que quando eu morrer
meu corpo irá para o chão
se transformar em poeira
poeira vermelha
poeira do meu sertão
(que ouvi com o Duo Glacial lá pelos meus seis carnavais)]
eh meu pai nosso que estais comigo
santificado seja o nosso rumo
caminhas por onde estou
como eu danças no bojo do vento que brinca nesta beiramar
onde mulheres bonitas
- ah como tu irias gostar de vê-las!
cheirosas balançando suas nádegas
prestes a romper justas malhas coloridas
e ofuscar o sol
maravilhar o sol
beiramar continuação
embora aparentemente distante
da morada da tua ex-carne
aparente porque quando olho tu olhas
sentes a escuma da cerveja que bebo
e te escuto a bronquear por minha barba
e meu cabelo comprido que este nosso vento bagunça
e aquela do jogo de futebol entre cabelo ruim e cabelo bom? hein?
sabes que riem quando esta tua nossa história
e outra vez desobedeço
filho do Leite que sou
e se fosse diferente terias vergonha de mim
como teve em Pedregulho
enquanto me gritavas teu orgulho
- na nossa família tem criminoso; ladrão, não!
eh meu pai nosso que estais comigo
quando passo/passa por mim uma bela mulher
solteira casada tanto faz
e me lembro do quanto demorei para perceber
o porquê daquele teu sorrir safado
quando tocava a ponta do nariz com a língua
continuas vivo
nos chanfros onde derramastes tua solda
dos cafundós das Geraes aos cafundós da África
da Rua dos Cachorros ao Brega de Candeias
eh meu pai nosso que estais comigo
rei dos cavalos bravios de Peçanha
criado a broto de samambaia e angu
desafiando as leis protéicas e vitamínicas
em tuas mortes não morridas
tuberculoses maleitas costelas quebradas
eletrochoque apendicites e etc
e o petit déjeuner de cerveja e conhaque
eh meu pai nosso que estais comigo
como nos domingos curitibanos de missa feijoada e zoológico
das cervejas no Caneca de Sangue
dois perdidos em Jacarezinho depois de goles de Ipanema
as noites nos botecos da baixada fluminense
e aquele insólito estilo de dividir a grana:
fregueses dos botecos saindo sorrateiros atrás de fregueses do boteco
e voltando sorridentes a contar o dinheiro dos fregueses do boteco:
a grana de mão em mão até à gaveta do balcão
onde descansaria até ser coletada sob mira do treizoitão
e outro balcão outro freguêsoutras mãosoutras...
do baixo dos meus 20 anos olhava pra ti
e ouvia teu já conhecido mote, desde Curitiba
- onde tem gente vai gente
e lá íamos outra vez pra dentro da noite
cruel moedora de hipócritas e frouxos
bundas-moles rejeitados até pelo ralo da vida
a se perguntarem o quê fazer na superfície
além de bancarem os prazeres sadomasô de farmacêuticos
advogados cardiologistas psyco-gurus
e outras espécies de geriaputas
eh meu pai nosso que estais comigo
te vejo correndo atrás do Gentil homem
que atirou em meu primeiro amigo Suíço
protagonista da primeira cena de cinema
que ainda habita minhas retinas por quase meio século;
tu quixoterói canivete na mão rua abaixo
no encalço de Gentil e seu 38 que lhe pedia:
- não vem Leite, não vem!
e Mareca correndo e gritando e caindo na poeira sobre um Tião ainda em seu ventre
e tudo na hora do almoço
e eu tinha 4
e por esta e outras cenas do mesmo naipe
hoje ultrapasso os 400
eh meu pai nosso que estais comigo
e com teus filhos por sangue ou escolha e amigos
que dionisiacamente te saudaram noite adentro
rindo de suas/nossas histórias
sorrisos porque não mereces choro
nem a hipocrisia do respeito
que respeito é súplica dos fracos
eh meu pai nosso que estais comigo
cavalgando alta mula de arreios tilintantes
cruzastes o Suassuí-Poca
este nosso Hades
reza de Vó Rosa a abrir porteiras
e no pa-ca-tá pa-ca-tá das patas levantando a terra vermelha
E aí vai um poemeu dedicado ao pessoal que se escandaliza com o COMERCIAL da Natura. E já aviso: embora baseado em fatos reas, o poemeu é pura peça de ficção. Ou não. Até porque a poesia está em permanente processo de construção coletiva. Quem a escreve, apenas cutuca o rastilho.
QUADRILHA
a empregadinha se vira
o pai funga e suspira
a mãe lembra-se e delira
ai o chofer que a despira
abortam o filho da filha
acoitam o filho que pilha
e louvam -”que maravilha!
no seio de
nossa família
a divina
luz brilha!”
e toca pra diante tranqüila
tradicional sagrada família
Ps. 1 - A imagem é uma ilustração de meu MANO FROMBERG composta para exposição envolvendo poesia e gravura que fizemos na Cosmópolis dos anos 80. Ps. 2 - saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).
Lá pelo início dos anos 80, fomos – Junim, Piu e mais alguém cujo nome não me lembro –
visitar um fornecedor da Leiteria Mumu. Na propriedade havia uma olaria.
Aproximei-me e fiquei observando a lida de um homem de cabelos brancos e um
menino de uns quinze anos, no máximo, manuseando o barro, amassando-o e
colocando-o nas formas. Na volta, vim calado, o que não é muito comum de
acontecer, como se sabe. A cena ocupava-me as parcas sinapses.
Quando
chegamos à casa do Piu, onde costumava me hospedar quando ia passar os finais
de ano em Caldas – MG, fui direto à máquina de escrever. Arranquei pedaço de um
cartaz do Espectro Contínuo, banda rockeira de Cosmópolis - SP, e enfiei na máquina.
Comecei a catamilhografar. Junim veio com o violão, pôs o pé na cadeira onde eu
estava sentado e começou a dedilhar. De mim, as palavras saiam compulsivamente,
apesar de meus dedos gagos. Lembro-me de sua pilhéria:
- “Do jeito
que você escreve, ainda vai ser escritor. Dizem que escritor não sabe escrever
à máquina.”
Terminei o
poema, ainda sem nome, e recostei-me na cadeira. Junim perguntou:
- “terminou?”
Eu
respondi:
- “Sim.
Falta o nome.”
Ele
retrucou:
- “Bota ‘Sô
Vicente’, que é o nome daquele senhor que estava fazendo os tijolos.”
Dito isto,
arrancou o pedaço de papel da máquina, sentou-se e cantou. Nossa música ficou
pronta ali. O canto está na minha mente até hoje. O poema é o que se segue:
SÔ VICENTE
o oleiro
na sua
santa inocência
atolava sua
imaculada mão na argila
e fazia os
tijolos
que
formariam o muro
barreira
entre o
pomar do patrão
e a fome
dos seus filhos
o bom deus
como de
hábito
espalhava
suas eternas bênçãos
sobre o
homem de boa fé
seculus
seculorum
amém...
AMÉM?! Ps.: a foto é da vez mais recente que nos vimos.
Não deixa de ser interessante a ausência - nas redes sociais e órgãos de imprensa - desta data que, antigamente, era tão comentada: o DESCOBRIMENTO DO BRASIL. Para alguns, entre os quais me incluo, o Brasil, assim como toda a America, além de África e demais regiões da Terra, foi achado e não descoberto. Muitas civilizações já existiam antes de caravelas terem se lançado da Península Ibérca rumo ao Mar Tenebroso. Em homenagem à efeméride de hoje, aí vai um singelo poemeu.
HISTÓRIA
um dia
o mastro da nau capitânea
estuprou as índias ocidentais
e...
tcham tcham tcham tchammm!
ói nóis aqui
ó! Ps.: saiba mais sobre como é que os portugueses sentiram o baque quando aportaram em Pindorama clicando no HYPERLINK (palavra realçada).
O Fratura Exposta retoma as atividades num dia pra lá de bacana. Principalmente, porque o Mundo homenageia estas criaturas divinas. Divinas, nos sentidos estrito e lato. E é por isto que tasco este poemeta composto lá nos antigamente, mas que ainda reflete meus pensamentos nestes atualmentes e, tenho fé, perpetuar-se-á nos futuramente. Arrombei com esta mesóclise, hein?
E vamos poetar!
pra tu vê
deus
um cabôco de muita
paciência
(um
trem que poderia ter feito num vapt-vupt
optou
por investir uma semana da sua santa eternidade!)
fez o mundo e as
coisas todas:
as paradas, as
móveis e as imóveis
fez o homem
(os imóveis inventaram os automóveis)
e de uma lasca
deste
fez a mulé
pronto o serviço
deu um passo pra
trás
enxugou o suor da
testa
(embora o sol só tivesse uma semana de
brilho
tava
de rachar mamona)
admirou aquela sua
obra-prima
(até pensou umas besteiras mas...)
sorriu satisfeito
e disse:
- cuida deste trem
todo pra mim, minha filha
no sétimo dia
criou as férias e
partiu pra curtir uma ilha famosa
chegou a ser visto
flanando pela noite do centrinho da lagoa
(embora
ninguém o tenha fotografado
há
quem jure ter ouvido um cabel(barb)udo exclamar
ao
ver um semelhante a enfiar sementes num barbante:
Como sabem, sou daqueles bestas que acredita que a vida sempre melhora.
Pois, depois de ter sido contemplado pelos deuses ao devolverem minha caninha com butiá, recebo o livro que me fez escrever Fratura Exposta, meu primeiro poema longo. Anos atrás, havia lido sobre o POEMA SUJO, de FERREIRA GULLAR. Não conhecia o poema em sua totalidade, apenas uns trechos aqui e acolá. Sempre me recusei a lê-lo pela internet ou em livro emprestado. Só de ficar sabendo da sua existência e importância, compus um poema.
Pra quem viveu a Campinas dos antigamente, comecei a composição aguardando no carro de uma amiga, olhando a multidão apressada que passava, enquanto ela ia ao supermercado (Pão de Açúcar, creio) que ficava numa das esquinas da Ferreira Penteado, perto do terminal de ônibus.
Agora, o livro está aqui, avec moi. Mesmo Gullar tendo tomado os rumos da Direita e - num dos documentários que assisti sobre ele - afirmado que parou de fazer poesia porque não se espanta com mais nada, vou mergulhar no seu Poema Sujo.
Fique tranquilo, Seo Gullar que, daqui pra frente, toco o bonde. E tenho certeza de que vou me espantar com ele.
Bejotas de brigadim, minha Bunitinha!
Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas)
Neste dia em que COSMÓPOLIS comemora 69 anos de emancipação, faço uma singela homenagem ao que esta cidade - uma das onde nasci - tem de melhor: seu povo. Parece incrível mas, em Cosmó, até os chatos não chateiam muito: são menos chatos que os chatos de outros lugares. Então, aí vai um poemeta cometido nos anos 70, creio eu, e que faz parte do meu segundo livro de poemas, "VIDA?", lançado em 82. Devo a inspiração às meninas que frequentavam/passavam pela Esquina do Itaú. Esquina esta que foi por muito tempo, este local foi o centro cultural da região, atraindo pessoas de quase todas as cidades vizinhas. Talvez sua influência e contribuição seja maior até mesmo que o famoso centro cultural do banco que leva o nome. Hip hip hurra!´ {8¬)