25 novembro, 2015

MAIS CARINHO ÀS MULHERES!


Neste DIA INTERNACIONAL DA NÃO VIOLÊNCIA CONTRA A MULHERque desejo perdure até que a tradicional forma de tratar as mulheres seja transformada, dedico este poemeu-sugestão a todas elas. E que a luta seja contínua!


NAVALHA NO CERNE

“...mas minha nega
é exatamente porque sei
das tuas dificuldades
dos riscos que corres
         (e tanto por tão pouco)
em tuas rondas noturnas
oferecendo pelas esquinas
este corpinho que deus fez
e muitas vezes
em troca
recebendo apenas porradas

neguinha
é por isto que tou aqui
pra te proteger desses jacks
que te seguem pelas madrugadas
te espreitam nos becos das viaturas

eu
que sei dos teus mais íntimos sonhos
mesmo quando te calas
pô neguinha...
sem sacanagem...”

amantes...
palavras cada vez mais sussurros
o vício e o sofrer...

amantes?!

olhares
silêncio
pensamentos
a brisa garoenta agita a cortina
momentaneamente
o neon do hotelzinho de família
invade a penumbra

algo mais brilha na alcova

ZZZAPT!

enfim
os dentes do cordeiro
alcançaram a garganta do pastor/lobo

antes do rubro sorriso tingir o chão
resoluta
posta-se Margot atrás da porta
bem  sabe que ainda não é tempo

de limpar a lâmina



Ps.: saiba mais clicando no HYPERLINK (palavra realçada).

20 novembro, 2015

PARADO É SUSPEITO; CORRENDO É LADRÃO


E já que é feriado - e, como se diz o vulgo, dia de trabalhar é que é dia de branco - aí vai um singelo poemeu a respeito do estilo de relacionamento entre uma boa parte das pessoas brancas e as pessoas negras nas ruas de uma cidade qualquer.
Divirtam-se ou não. Também podem partir para aquela clássica postura: os negros são mais racistas que os brancos.
Fiquem à vontade!


PARADO É SUSPEITO; CORRENDO É LADRÃO

ainda há pouco te observava mudar de
                     cor ao me ver chegando
teu coração batendo à boca
os olhos arregalados
o outro trancado

ledo engano heim madame?
pena que o negão não tava chegando
tava só passando
o que prá madame já é demais
coitadinha
toca a engolir o coração de volta

pois é
nessas horas
a madame se esquece
         das porradas que leva do galego seu
                                 marido
         daquele vizinho de condomínio que
                estuprou a empregadinha
         do outro
         que a madame deconfia
         que transa com a própria filha
se esquece até daquele pesadelo
que pertuba suas noites de jejum
         a madame tá caminhando no guarujá
         de repente
         salta em cima da madame
         aquele puta negão pelado
         aquela coisa preta
         aí a madame quer correr
         as pernas amolecem
         cai
         sente aquelas mãos ásperas
         aquela boca chegando... chegando...
         e aí...

a madame acorda toda molhadinha
todo o corpo ardendo
e não consegue mais dormir com o
                        ronco do galego

tudo isso me dá um dó
porque eu vejo o mesmo nos olhos da sua
                filhinha tão fresquinha
e daquele seu filhinho de fala mole
imagino
que os seus antigos também eram assim

mas olha
liga não
vida de nego é difícil
         (já dizia a canção)
mas a de branco também não é fácil
é cada susto
e aí eu levo uma vantagem
não tenho a grana mas sou negro
só me assusto quando pintam os...
         (a madame sabe de quem tou falando)
pois nunca se sabe
se eles tão do lado da gente
ou da madame

mas sabe
no fundo
não vou perder meu tempo te odiando
te desejo fama e glória
ainda quero ver sua foto
nas paradas de sucesso do NP

e prá madame ver como são as coisas
no momento em que te falo
         (sugestivo heim?)
tou tomando um vinho branco
com uma amiga que tem a pele como a tua
só que não é branca

é uma amiga

19 novembro, 2015

NÃO MAIS MARIANA’S!


A que serve uma área alagada de resíduos altamente perigosos, cujo volume aumenta indefinidamente? Quantas barragens abarrotadas de resíduos de mineração temos no País?
Muito se tem lamentado, falado, escrito, orado e memetizado sobre a TRAGÉDIA ocorrida na BACIA DO RIO DOCE, com o rompimento da barragem destinada a armazenar resíduos de responsabilidade da mineradora SAMARCO. Para piorar, há o risco do desmoronamento de outras duas represas do mesmo tipo e na mesma bacia. Como quase sempre, oferece-se a oportunidade para que políticos eleitos e derrotados, jornalistas sensacionalistas, analfabetos virtuais e eco-catastrofistas de plantão se esbaldem com a tragédia do momento.
O Humano, em geral, atém-se ao fenômeno, que é palpável e carece de pouco esforço para ser notado. Poucos se dedicam a refletir sobre as causas e, principalmente, formas de eliminação das mesmas com o objetivo de se evitar a repetição do estrago. Já aconteceram OUTROS ROMPIMENTOS e, pelo jeito, o fato voltará a ocupar as manchetes ainda por um bom tempo. O raio pode até não cair duas vezes no mesmo lugar. Porém, há sempre o risco de cair na vizinhança.
O passo fundamental - que deveria ter sido dado na implantação desta e de qualquer outra mineradora - é exigir, antes de autorizar sua instalação e funcionamento, o projeto do sistema de tratamento dos resíduos. Como esta exigência não foi apresentada antes, que seja do presente momento em diante condição sine qua non para o desenvolvimento da atividade de mineração.
Durante um curso de gerenciamento de resíduos sólidos, uns 20 anos atrás, ouvi do ministrante que a razão da poluição industrial é simples: a empresa privatiza o lucro e socializa o prejuízo. Será que não estamos passando da hora de empresas, assim como indivíduos, também privatizarem o prejuízo que vierem a causar? Apenas multar, pois mais alto que seja o valor, não garante a interrupção do risco de dano. Todo mundo conhece histórias envolvendo motoristas com dezenas de pontos na carteira e que, impunes ou não, sobem na calçada e atropelam e matam pessoas. Multas, a empresa insere nos seus custos de produção, repassando-as para os de sempre: os consumidos – ops!, quero dizer, os consumidores.
Lamúrias apenas engordam os que sabem faturar com prantos e ranger de dentes. O Cidadão não se descabela. Age.


Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

HURDY GURDY

Para quem ainda não conhece - e para quem já - apresento um HURDY GURDY, a orquestra de um instrumento só, construído por Cumpadi Edão.

06 setembro, 2015

CANÇÃO PEQUENA PARA INCOMODAR O SONO DOS GRANDES


E, continuando com o tema infância, dedico esta singela canção de EDVALDO SANTANA às pessoas que se esforçam para que a festa no playground seja contínua e também àquelas que são dedicadas fãs dos mini-presídios entupidos de sonhos frustrados.
A reflexão sobre o tema não é obrigatória, mas sugiro uma visitinha ao romance Oliver Twist, de CHARLES DICKENS aos que pensam que maltratar crianças é coisa de hoje.




CANÇÃO PEQUENA
(Edvaldo Santana)

Agora o menino dorme
Na sua postura correta
Sozinho na noite enorme
Como quem dorme
De forma completa

Por não ter havido outro jeito
Senão crescer depressa e a esmo
Na escola da rua e ter feito de si
O indefeso refém de si mesmo

Por não ter havido diferença
Entre as coisas da vida e da morte
Foi morto com bala de polícia
Mas podia ter sido de crack ou de corte

Passarinho não cantou
Nessa madrugada
Foi um jeito que ele arrumou
Pra ser camarada

Ps.: Saiba mais navegando pelos HYPERLINKS (palavras realçadas). Há. inclusive, um disco do Edvaldo para download.

04 setembro, 2015

HÁ CRIANÇAS NAS PRAIAS, RUAS E CAMPOS



Muito se disse, se diz e se dirá a respeito da infâmia que a parte de cima da imagem encerra. Pouco foi, é e será feito para interferir nos motivos de existirem situações como esta.
Tem sido assim desde muito tempo, o que se pode constatar informando-se a respeito do que ocorreu durante o tráfico negreiro, na invasão da América pelos europeus, na Guerra NO Paraguai, na Guerra do Contestado ou e Canudos, para citar episódios mais próximos de nós, brasileiros. Na falta de tempo para folhear algum livro de História, basta olhar para as esquinas e ruas por onde trafegamos.

Esta tragédia existiu, existe e continuará a existir enquanto houver a possibilidade de enriquecimento com a mesma.
Para amenizar o papo, uma canção dos tempos em que refletir sobre uma letra de música não estava fora de moda: HAY UN NIÑO EN LA CALLE - CALLE 13, DE Armando Tejada Gómez, magnificamente interpretada por Mercedes Sosa e devidamente ilustrada pelo cotidiano.




Ps.: a parte de baixo da imagem está aí por um mero acaso contemporâneo.

09 agosto, 2015

EH, MEU PAI!


Como de praxe nesta data, divido este poemeu com as pessoas cujo pai já foi viajar. Parafraseando Boldrin, fora ou dentro do combinado. Poema ilustrado, como sempre, pela heraclitiana canção "Poeira". A presente versão é de CARLINHOS VEIGA.
Saravá, Véi Leite!





eh meu pai!

         [poeira entra em meus olhos
         não fico zangado não
         pois sei que quando eu morrer
         meu corpo irá para o chão
         se transformar em poeira
         poeira vermelha
         poeira do meu sertão
         (que ouvi com o Duo Glacial lá pelos meus seis carnavais)]

eh meu pai nosso que estais comigo
santificado seja o nosso rumo
caminhas por onde estou
como eu danças no bojo do vento que brinca nesta beiramar
onde mulheres bonitas
         - ah como tu irias gostar de vê-las!
cheirosas balançando suas nádegas
prestes a romper justas malhas coloridas
         e ofuscar o sol
         maravilhar o sol
beiramar continuação
embora aparentemente distante
da morada da tua ex-carne
aparente porque quando olho tu olhas
sentes a escuma da cerveja que bebo
e te escuto a bronquear por minha barba
e meu cabelo comprido que este nosso vento bagunça
         e aquela do jogo de futebol entre cabelo ruim e cabelo bom? hein?
         sabes que riem quando esta tua nossa história
e outra vez desobedeço
filho do Leite que sou
e se fosse diferente terias vergonha de mim
como teve em Pedregulho
enquanto me gritavas teu orgulho
         - na nossa família tem criminoso; ladrão, não!

eh meu pai nosso que estais comigo
quando passo/passa por mim uma bela mulher
solteira casada tanto faz
e me lembro do quanto demorei para perceber
o porquê daquele teu sorrir safado
quando tocava a ponta do nariz com a língua
continuas vivo
nos chanfros onde derramastes tua solda
dos cafundós das Geraes aos cafundós da África
da Rua dos Cachorros ao Brega de Candeias

eh meu pai nosso que estais comigo
rei dos cavalos bravios de Peçanha
criado a broto de samambaia e angu
desafiando as leis protéicas e vitamínicas
em tuas mortes não morridas
         tuberculoses maleitas costelas quebradas
         eletrochoque apendicites e etc
e o petit déjeuner de cerveja e conhaque

eh meu pai nosso que estais comigo
como nos domingos curitibanos de missa feijoada e zoológico
das cervejas no Caneca de Sangue
dois perdidos em Jacarezinho depois de goles de Ipanema
as noites nos botecos da baixada fluminense
e aquele insólito estilo de dividir a grana:
         fregueses dos botecos saindo sorrateiros atrás de fregueses do boteco
e voltando sorridentes a contar o dinheiro dos fregueses do boteco:
a grana de mão em mão até à gaveta do balcão
onde descansaria até ser coletada sob mira do treizoitão
e outro balcão outro freguês outras mãos outras...
do baixo dos meus 20 anos olhava pra ti
e ouvia teu já conhecido mote, desde Curitiba
         - onde tem gente vai gente
e lá íamos outra vez pra dentro da noite
cruel moedora de hipócritas e frouxos
bundas-moles rejeitados até pelo ralo da vida
a se perguntarem o quê fazer na superfície
além de bancarem os prazeres sadomasô de farmacêuticos
advogados cardiologistas psyco-gurus
e outras espécies de geriaputas

eh meu pai nosso que estais comigo
te vejo correndo atrás do Gentil homem
que atirou em meu primeiro amigo Suíço
protagonista da primeira cena de cinema
que ainda habita minhas retinas por quase meio século;
tu quixoterói canivete na mão rua abaixo
no encalço de Gentil e seu 38 que lhe pedia:
         - não vem Leite, não vem!
e Mareca correndo e gritando e caindo na poeira sobre um Tião ainda em seu ventre
e tudo na hora do almoço
e eu tinha 4
e por esta e outras cenas do mesmo naipe
hoje ultrapasso os 400

eh meu pai nosso que estais comigo
e com teus filhos por sangue ou escolha e amigos
que dionisiacamente te saudaram noite adentro
rindo de suas/nossas histórias
sorrisos porque não mereces choro
nem a hipocrisia do respeito
         que respeito é súplica dos fracos

eh meu pai nosso que estais comigo
cavalgando alta mula de arreios tilintantes
cruzastes o Suassuí-Poca
         este nosso Hades
reza de Vó Rosa a abrir porteiras
e no pa-ca-tá pa-ca-tá das patas levantando a terra vermelha
tua alegria a se fundir com o horizonte

eh meu pai nosso que estais
vivo é o vosso sumo

lagoa, 28/11/06

14 julho, 2015

FALTOU SAL NÃO, CUMPADI



Comentário que fiz à crítica de JOSÉ GERALDO COUTO sobre o documentário O SAL DATERRA, de WIM WENDERS e JULIANO RIBEIRO SALGADO:

Cumpadi,
Assisti
O Sal Da Terra, ao lado de minha esposa que, em certo sentido, concorda contigo que Sebastião apresenta cenas da tragédia humana sem propor soluções.
Discordando, entendo este trabalho de SEBASTIÃO SALGADO como uma espécie de diagnóstico. Como um profissional de análises clínicas que identifica a quantas anda o colesterol de um paciente, contribuindo para que o médico, que tem a competência para tanto, melhor possa elaborar e propor tratamento para o problema. No caso das tragédias apresentadas em suas fotos, entendo que cumpre à Sociedade o papel de trabalhar para, ao menos, reduzi-las. Porém, a Sociedade, como alguns médicos, enxerga nelas pouco mais que possibilidades de faturamento.
Em relação ao REFLORESTAMENTO que Sebastião promove nas terras que pertenceram aos seus pais, por ter nascido naquelas bandas, vejo como um avanço além do diagnóstico, como uma ação de solução do problema identificado, num ponto em que ele tinha/tem competência para tanto. Em 1976, quando circulei com meu Tio Dó pelas carvoarias da região de Governador Valadares, cheguei a ver filho de fazendeiro que saiu da terra para estudar Agronomia e, depois de formado, voltou para gerenciar fornos na própria terra, ao invés de substitui-los por canteiros. Nunca me esqueci disso e desejo bastante que algum desses pródigos filhos de fazendeiros das Geraes assistam ao documentário e consigam acreditar que é possível salgar a Terra de outra forma.


Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

24 junho, 2015

NA DÚVIDA, ATIRE!




Debate democrático na TV brasileira, com raríssimas exceções, é assim: o programa CONVERSAS CRUZADAS (TV COM-SC), para debater o projeto de lei que visa armar a população, convida três pessoas a favor e uma contra.
Desta maneira, a Gramde Inpremça pauta nossa vida, assim como no caso da REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL. Não demora, seremos dispensados de votar (para gáudio de muitos ingênuos).  Bastar-nos-á seguir as determinações dos órgãos de inpremça que, como se sabe, são infalíveis na defesa dos seus patrocinadores.
Em tempo: o preclaro leitor já ouviu falar de quantos POLICIAIS – que têm o direito e o dever de circular armados – são mortos em serviço?
Outra questão: sabe-se que as BRIGAS ocorridas no trânsito não são poucas, muitas das quais se transformando em casos de morte; acredita mesmo que o papo será mais tranqüilo se cada motorista e passageiro portar um trabuco?

Boa sorte para nós todos!

Ps.: como sempre, saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas); eles são as cerejas deste pseudo-bolo.

13 junho, 2015

BOA TRAVESSIA, CONTERRÂNEO!



Trecho emprestado do jornal O TEMPO:

"
No Livro “Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”, o autor Márcio Borges assim descreve o primeiro encontro entre Milton Nascimento, o Bituca, e Fernando Brant, apresentados por uma amigo em comum:
“Contaram e recontaram seus parcos trocados.Davam para duas cervejas e um ovo cozido. Bastante. Em torno dessa duas cervejas e do ovo cozido, dividido irmamente por Bituca (extraordinário!), os dois conversaram a tarde inteira e fizeram amizade. Fernando gostava de poesia, sabia de cor versos inteiros de García Lorca e Fernando Pessoa. Era sorridente e bem-humorado. Estava gostando muito de conhecer um músico, um compositor. Antes de se levantarem, Bituca perguntou:
– E você escreve?
– Escrever o quê? Contos, essas coisas?
– Você escreve poemas como os que acabou de recitar?
– Eu nunca escrevi nada
– Então vai ter que escrever.

Assim, combinaram de se encontrar outro dia para tentar realizar a tal empreitada. Nenhum dos dois sequer poderia imaginar as estupendas conseqüências daquele encontro casual, que fizera cruzar a linha de suas vidas."
Não é à toa que chamam artista de estrela.
Olhaí mais uma: FERNANDO BRANT!
Como bom CALDENSE, foi fazer parceria com meu irmão Junim.



Ps.: saiba mais clicandonos HYPERLINKS (palavras realçadas).

05 junho, 2015

QUADRILHA




E aí vai um poemeu dedicado ao pessoal que se escandaliza com o COMERCIAL da Natura.
E  já aviso: embora baseado em fatos reas, o poemeu é pura peça de ficção. Ou não. Até porque a poesia está em permanente processo de construção coletiva. Quem a escreve, apenas cutuca o rastilho.


QUADRILHA

a empregadinha se vira
o pai funga e suspira
a mãe lembra-se e delira
ai o chofer que a despira
abortam o filho da filha
acoitam o filho que pilha
e louvam -”que maravilha!
no seio de nossa família
a divina luz brilha!”

e toca pra diante tranqüila

tradicional sagrada família

Ps. 1 - A imagem é uma ilustração de meu MANO FROMBERG composta para exposição envolvendo poesia e gravura que fizemos na Cosmópolis dos anos 80.
Ps. 2 - saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

28 maio, 2015

HAITI: OUTRAS IMAGENS




Os serviços públicos – Saúde, Educação e Segurança, entre outros – obteriam melhores resultados se contassem com antropólogos, sociólogos e, obviamente, historiadores em seus quadros. Isto porque o técnico, parafraseando um poema de Fernando Pessoa, pouco avança além da técnica. Porém, deixemos isto pra outra postagem porque o papo aqui é outro. RADILSON CARLOS GOMES é um historiador lotado no Ministério da Saúde e participou de uma missão multidisciplinar no HAITI.
Como se sabe, a GRAMDE INPREMÇA não vê possibilidade de lucro nos milhares de barcos que chegam ao destino. Apenas os que naufragam atraem a sua atenção. E é com este raciocínio que ela nos tem exposto o Haiti: apenas um país destroçado.
BOMBAGAI, a exposição fotográfica de Radilson, que pode ser apreciada na FUNDAÇÃO BADESC até 12/06, apresenta-nos o Haiti que resiste, o Haiti que existe para além das ruínas. Um país que segue em sua luta e que em 01/01/1804 tornou-se o primeiro país latino-americano a conquistar a independência.
As imagens captadas por Radilson refletem cenas do cotidiano envolvidas em seus trabalhos ou indo à escola. Aliás, numa das fotos vemos estudantes uniformizadas emolduradas por uma luminosidade como se o sol estivesse direcionado apenas para elas, fazendo as vezes de um super-flash. É de encher as retinas.
Então, você que mora ou esta em Florianópolis corra até à Fundação. Você que mora distante, entre no site do Radilson e procure saber como levar a exposição para sua cidade. Sobretudo, não perca esta oportunidade de conferir que a Vida talvez enha nada a ver com a vocação judaico-cristã para o sofrimento. A Vida é muito mais como a canção do GONZAGUINHA e menos com a chorumela do CAETANO.

Ps.: saiba mais sobre o assunto clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas); você pode até ouvir as canções enquanto lê.

27 maio, 2015

O AMULETO DE JEFERSON




O AMULETO, dirigido por JEFERSON DE, estréia nalgumas telonas de Florianópolis. Segundo o diretor, trata-se de um filme de terror com clichês do gênero e algumas pitadas diferentes como, por exemplo, a trama não transcorrer em madrugadas de chuva espessa e raios singrando as janelas.
Emoldurando a história, temos algumas das mais belas paisagens de Floripa, o que também vem a ser mais um motivo para curtir o filme. Assim, aqueles que ainda não conhecem a Ilha da Magia FRANKLINIANA saberão o que estão perdendo. Já aqueles que aqui nasceram, habitam ou frequentam, terão a oportunidade de sentir uns “apavoros” – termo aprendido de um amigo ilhéu – ao serem “cinetransportados” para algumas trilhas por onde costumam cantarolar o Rancho de Amor à Ilha ou, no caso dos modernex, selfiezando-se a si mesmo.
Enfim, as bruxas estão à solta!
Se las hay? Pregunta Allá nel puesto pyranga.

Onde? Simples:
Cinesystem - Shopping Iguatemi
Cinespaço - Beiramar Shopping
CMK - Floripa Shopping
Cinepolis - Continente Park
Arcoplex - Shopping Itaguaçu 



Ps.1 - Jeferson é diretor do premiado BRODER, que assisti no meu cineclube preferido, a FUNDAÇÃO BADESC, quando também rolou um papo tranquilo com ele.
Ps. 2 - Saiba mais sobre tudo isto e conheça um conto do Franklin Cascaes, clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

15 maio, 2015

PRA CIMA COM O BLUES, BOY! YOU'RE THE KING!


É óbvio que sou fã de BLUES ETÍLICOS, ANDRÉ CHRISTOVAM, NUNO MINDELIS e GAMBONA (meu Cumpadi do pampa rio-grandino). Porém, para quem ouvia o ritmo nas décadas de 70 e 80, o bluesman brasileiro mais famoso é CELSO BLUES BOY. O apelido foi criado por Sá – da dupla com GUARABYRA? – inspirado num BB eternamente famoso: Blues Boy King. Para íntimos simplesmente B.B. KING!
Quis a vida, porque é quem sabe o que quer, que os dois se encontrassem e dividissem um palco brasuka, para delírio de quem teve o privilégio. Também quis a vida que os dois, a exemplo de tantas outras feras, fossem rugir suas blue notes pela estrada afora, forever.
Hoje, como as paralelas, os B. B.’s se tocam no infinito.
Yeah!







Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas); por exemplo, confira uma entrevista do melhor BBB: o Blues Boy de Blumenau.

30 abril, 2015

POR UMA BANCADA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA


Como acontece com quase todas as pessoas – pois, sempre há os gurus de plantão – muitos são os fatos e as coisas que escapam à minha compreensão. Das principais, uma é a falta da Bancada da Saúde Pública e da Bancada da Educação Pública. Neste momento em acompanhamos o massacre dos professores da rede estadual paranaense, este sentimento incomoda ainda mais. Pela simples razão de que, com impossíveis exceções, todos os participantes freqüentaram instituições escolares e passaram um bom tempo de suas vidas em contato com professores. Da mesma forma, os espectadores das imagens e vídeos que mais pareciam ter saído de um filme de guerra.
A pergunta é: por que a Sociedade, cujo instrumento de ação é o Estado, tem tratado desta forma os responsáveis por parte considerável, e fundamental, formação de seus membros? E tudo isto acontece sob o manto da legislação elaborada representantes legítima e voluntariamente escolhidos e sustentados pelo eleitorado composto, em sua maioria, de pais, alunos e professores? Incluídos aí aqueles que votam nulo ou se abstêm, posto que isto nada mais é que optar pela participação pseudo-passiva.
Pergunta meio longa, né? E a resposta, então?
Já imaginou, você que me concede o privilégio de acompanhar meu raciocínio até aqui, se professores & simpatizantes da Educação Pública operassem no sentido de eleger ao menos um representante por estado para a Câmara de Deputados? Teríamos, no Congresso Nacional, uma bancada forte o suficiente para defender os interesses de professores e alunos das escolas públicas.
O mesmo poderia acontecer em relação à Saúde Pública. Que nos falta, preclaros cidadãos em condições de exprimir a própria vontade na urna?


28 abril, 2015

O QUE É A VIDA, HEIN ABU?



Recentemente, com a viagem de INEZITA BARROSO, perdi uma dos poucos motivos para acessar a ex-TV CULTURA. Chamo assim a emissora porque, a meu juízo, ela era muito mais pró-Cultura aos tempos de ORESTES QUÉRCIA e PAULO MALUF. Nem eles a transformaram numa correia de transmissão do ideário da dinastia tucano-paulista. Agora, mais um motivo se vai: o provocador ANTÔNIO BUJAMRA, este ser que pratica os versos que mais gosto – “onde há uma ferida / cabe meu dedo”, de TORQUATO NETO.
Sem mais delongas, até para não chatear o Mestre, ofereço uma resposta que não o próprio, mas sua existência, faz: “o que é a vida?”

AVIDAMUSASUMADIVA

é feito um caminhar de dentro pra fora
até entrar de novo
e sair um outro
d’ outro lado
que é este mesmo
que chamam depois mas que vem antes
assim como cada fim é o principiar de outro
não há paradas saídas entradas
há um caminho a transformar-se enquanto se caminha
assim como
o amanhã de anteontem é o ontem de hoje que é o ontem de amanhã


Ps. 1 – Obviamente ele me perguntaria novamente "o que é a vida" e, em seguida, soltaria o desejado "dá cá um abraço!".
Ps. 2 – Poema-resposta de lavra shasciana.
Ps. 3 - saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

25 abril, 2015

QUE A FESTA CONTINUE BONITA, PÁ!




Uma singela homenagem aos envolvidos na REVOLUÇÃO DOS CRAVOS, nestes tempos em que a Direitosa Modernenta emite seus urros, tanto cá nesta Terra Brasilis como n’Além-mar.
Não mais SALAZARES!
À frente, Portugal!





NÃO CARA-PÁLIDA!

sei que só
não salvarei a tribo
mas não serei o batedor
que dirá à cavalaria
qual é a melhor hora para o ataque

não me cativam
teus espelhos e contas de vidro

Ps. 1 – o poemeta é de nossa lavra.
Ps. 2 – saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas)

24 abril, 2015

PAIRAM PASSARALHOS



Recentemente, alguns PASSARALHOS sobrevoaram as redações da mídia impressa e televisada. E a revoada não foi sobre as pequenas empresas do ramo. Ocorreu sobre algumas das principais, aquelas consideradas formadoras de opinião, embora haja discordância.
Obviamente, qualquer situação de desemprego é triste. A não ser quando esta se abate sobre o piloto da forca ou da guilhotina. Porém, alguns dos mais prestigiados e bem pagos jornalistas ou – pior – comentaristas e/ou articulistas, parecem se esquecer que também são empregados, embora atuem como bocas de aluguel. Parecem não perceber que os tapinhas nas costas e os convites para passear em aeronaves públicas não os tornam patrões ou ilustres membros da comitiva governamentais.
Neste exato momento da vida política brasileira, a Câmara dos Deputados acaba de abrir a possibilidade de que, praticamente, todo emprego passe a ostentar o prefixo sub, com as devidas conseqüências salariais. Como tem acontecido em outros momentos de nossa História, os jornalistas ou – pior – comentaristas e/ou articulistas que desfrutam de maior audiência assumem seus postos de correias de transmissão das entidades patronais. Portam-se como se sua existência só seja possível através do sangue alheio.

Pelo que diz o COMUNIQUE-SE, de onde emprestei a imagem acima, há sindicatos de jornalistas empenhando-se em afirmar que jornalista é trabalhador. Tomara as bocas de aluguel acordem. Ou sejam derrubadas do catre esplêndido.
Aliás, de vez em quando, alguma é derrubada, como no caso do imparcialíssimo JABOUR que foi apeado do Estadão.

Ps. 1 – a imagem é do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
Ps. 2 – para saber mais, clique nos HYPERLINKS (palavras realçadas).