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14 novembro, 2016

PRENHE SELENE


Já que é dia/noite de falar da lua, aí vai um poemeu cujo cometimento iniciou-se durante um luau na Praia Mole e completou-se em Sambaqui, de há muito. Desejo que gostem.
{8¬)


prenhe selene


fito a imensidão
infinita porque me escapa até onde
estar finito?, como algo pode?
passam nuvens pela
     lua
lua
   pelas estrelas
      estrelas pelo céu
p                                               assam

o tempo
a passar
p      assa
p      a      s       sa
p      a      s       s       a
passa?

eu passo
inteiro
integrado
unha e carne nu dedo
  o dedo da criação
durante
enquanto
estou
    amo
 s.


praia mole/sambaqui, 26/05/02

21 setembro, 2013

ALL ALONG THE WATCHTOWER.



 
Nada mais é que um poemeta cometido numa tarde chuvosa nos antigamentes quando morava em Sambaqui.
Experimentem à vontade que é de graça, como a vida me é.
{8¬)


“All Along the Watchtower”

         (... mas, assim mesmo, eu vou correndo
         só pra ver...)
 
... e lá vem o costume cristão de reclamar do viver:
“- que merda de chuva!”
(quando o sol aparece, apenas trocam chuva por sol
quando venta...)
“- que dia deprimente!”
                   (onde é que está, mesmo, a depressão?) 

À minha janela,
nada vejo do eterno verde.
Porém, sei-o.
O nada está no alcançar de minhas retinas.
Sinto-o em meu concreto espírito,
parte que estou da extensão de tudo
                   (no palco à minha volta,
o balé da ramagem feliz
e seu saltitantes cantores
nos oferendam esta certeza vital). 

Pra chorar num dia assim,
é preciso ter lágrima já pronta.

27 dezembro, 2009

FLORAIS DE MAR

Para aliviar o possível peso das postagens anteriores, aí vai o poema que tenho o maior prazer de ter cometido. Compus nos meus tempos de SAMBAQUI, depois de me terem recomendado que tomasse FLORAIS DE BACH. Como eu morava quase defronte a finais de tarde como este da imagem acima, resolvi criar meus própios florais.
E os divido com vocês numa tentaivca de retribuir à VIDA, tudo que ela me tem propiciado, através de - é claro! - vocês mesmo.
Brigadim por me permiteirem.
{8¬)
florais de mar

rebanho
em florespumas que brotam aqui e acolá nas cristas fagueiras como meninos no morro do bom brinquedo o coração plenamente consciente de suas dificuldades em existir porém não menos feliz por saber a vida como uma farta mesa posta em festa para orixás e ousar ter prazer em se lambuzar no banquete oferecido para espanto pavor e óbvia repreeeeensão do
rebanho
rebanho
o corpo incapaz do sacrifício de fechar-se a este eterno sussurrar a preencher todas as épocas e esta janela semprevivamente emoldurada onde repentinas quilhas abrem fendas na pseudocalma superfície que guarda a fonte do tudo como se imenso olho verde acenasse a possibilidade de vislumbrar a maravilha da vida em relances imperceptíveis ao
rebanho
rebanho
imersamente flutuantes coração e mente como ave a saltar para o primeiro vôo todos os incontáveis dias da sua existência de ser parte e ser o todo invisível aos que preferem doces promessas de alívio de incensos e essências de fugidios magos modernos que convenientemente interpretam dolorosos desejos foscos frutos da embriaguez do
rebanho
rebanho
me todo dia em flores sons e cores diferentemente igual ao primeiro e a todos os outros banhos de benzeção e carnaval sacra e profanamente em marés que anseio desde as abissais minas minha fonte minha sina como tudo o que há
em florais de mar
me banho
Ps.: clique nos hyperlinks (palavras realçadas) e viaje.
{8¬)

28 setembro, 2009

PRA SEGUNDONA CHUVOSA E BACANA

Daí, algum tempo atrás, tou eu lá em Sambaqui, onde iniciei meu curso pra manezinho. Choveu tanto que parecia que o mar havia sumido de minhas janelas. Porém, eu sabia que ele estava lá, balançando do mesmo jeito, assim como a passarinhada, que desconhece o que é guarda-chuva ou benegripe, cantava a plenos. Então, percebi que Hendrix tocava Dylan e Jorge Ben papeava com Toquinho. Deu nisto aí.
Desejo que gostem.
{8¬)


“All Along the Watchtower”

(... mas, assim mesmo, eu vou correndo

só pra ver...)

... e lá vem o costume cristão de reclamar do viver:

“- que merda de chuva!”

(quando o sol aparece, apenas trocam chuva por sol

quando venta...)

“- que dia deprimente!”

(onde é que está, mesmo, a depressão?)

À minha janela,

nada vejo do eterno verde.

Porém, sei-o.

O nada está no alcançar de minhas retinas.

Sinto-o em meu concreto espírito,

parte que estou da extensão de tudo

(no palco à minha volta,

o balé da ramagem feliz

e seu saltitantes cantores

nos oferendam esta certeza vital).

Pra chorar num dia assim,

é preciso ter lágrima já pronta.

Ps.: a pedidos de Rany, minha Cumadi dos cantos.