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12 abril, 2020

FELIZ TUDO, COSA MAH LINDA DO PAINHO!


Porque a poesia é um presente que descarece de embrulho ou traslado, toma lá este doidema!


MARIA


tu és
the sun shining
candidamente over mim
quand tu chantes
ou me chama
“paaai”
        De... mo... ra... da... meeente pronunciado
como pilherianamente o notam as Cosmó’s Leites


oceano
– sem fim –
a nos apartar
eu aqui
tu
apart...


NÃO!


par toi
a mente estende-me
cruzo o horizonte
a buscar teu sol(r)rising
por sobre mares e montes
- que os há
sei e não sinto -
par moi
estão pontes




Cosmó, 01:40 - 12/04/20
                                                          Ps.: sob a luz de BIRD, o Parker aquele

30 março, 2017

NA FALTA DE LIVROS, QUEIMAM-SE PROFESSORES.


Será possível imaginar onde teria chegado GIORDANO BRUNO caso tivesse escapado à sanha obscurantista de sacerdotes e, principalmente, seus seguidores? Este PROCESSO POR PERSEGUIÇÃO IDEOLÓGICA envolvendo uma mestranda e sua orientadora dá-me a impressão de que a Humanidade ainda se encontra submetida a muitas das práticas que sustentaram a Inquisição.
O dito processo me lembra de um fato ocorrido quando eu tentava ser aluno de História no glorioso IFCH dos anos 80. Havia um aluno que vinha de São Paulo para assistir aulas de algumas das disciplinas. O rapaz era professor num colégio em São Paulo. Certo dia, depois da aula, comentei com ele sobre Perguntas de Um Trabalhador que Lê, poema de BERTOLT BRECHT no qual o dramaturgo trata do que resta ao operário do fruto do seu trabalho. Como ele se interessou, emprestei-lhe o livro que incluía o poema.
Na semana seguinte, ele me devolveu o livro e, chateado, contou-me que apresentou o poema aos seus alunos. Pensava, como sói acontecer aos professores por vocação que estaria contribuindo para formação de futuros cidadãos conscientes de sua condição no Mundo. Ledo – e Ivo – engano. Segundo ele, uma das alunas, que professava uma religião dada ao reacionarismo, ficou indignada com a propaganda subversiva que enxergava no poema e o denunciou à diretora. A executiva não teve dúvidas: mandou que ele e, principalmente, o poema sumissem de seu imaculado colégio: demitiu-o sem pestanejar. Que fosse comunistar em outra freguesia!
De bom, ficou-me mais clara a certeza do poder da Arte. Poder nem sempre aplicado pelos artistas nas suas relações com a Sociedade.
Nas vozes de outras crianças, olhai o que pode um singelo poema:



Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

30 novembro, 2010

MARIA CÂNDIDA I

Saravá, cybernavegantes do aquém, do além e dos alhures!
Peço perdão pelo sossego involuntariamente concedido a vocês. Por isto mesmo, não vou descarregar a metralhadora (que tá entupida até o beiço), ainda. Fica pra depôsi, como diz o MANEZIM (please, excuse my MINER'S accent) da ILHA.
Estivemos, minha patroa mais eu, fora do ninho para que o mesmo começasse a ser preparado para Maria Cândida, que se encontra no camarim materno e sobe ao palco em abril.
Por enquanto, aí vai a primeira que compus pensando nela. Pensando, não; sentindo. Ela, que há de relevar a lerdeza deste bardo chinfrim, fã de quebrar pé de verso.
Divido convosco.
{8¬)


quem vem lá?

ó
mar
ia
cândida
espuma
vibrar
r
rebento
arrebenta
no costão inglês

mágica ilha
acolhedora
mãe

quem sejas
tua é a hora

é o que deseja
o braço meu
teu
pai


lagoa, floripa, 16/10/2010



Ps. 1 - o formato do poema não é bem este, mas não sei como colocar no blog com o alinhamento que compus;
Ps. 2 - sempre tem mais alguma coisa nos HYPERLINKS: clique sem medo!

30 setembro, 2010

CRIANÇA FELIZ, FELIZ A CONTAR!

Antecipando o DIA DAS CRIANÇAS que, no câmbio oficial do comércioi acontece em 12/10, aqui vai une petite fille contando uma histórinha para crianças e adultos irrecuperavelmente infantis como, por exemplo, este que aqui tecla.
Aproveitando a oportunidade, posto um poema que compus pra minhas bonititas sobrinhas francesas: Laïs e Maïnah. No meu tradicional portancês, é óbvio e pululante!
E todo dia é dia de COSME & DAMIÃO, no meu terreiro.
{8¬þ



LAÏS E MAÏNAH

bienvenue
avec ses is
que parecem deux nari
sis
pour inspirar la vie
pour expirar la vie
parce que leurs respirar
est la même

dois yeux aussi
sobre os braços abertos
pour receber la vie
pour aceitar la vie
pour completar la même

outras aves
sambam aqui
nesta ponta près du paradis
o
só...
nunca estamos
... estareis

Maïnah et Laïs
à vous
ce notre verde tapis

toujours
bienvenuuueee !!!



Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas)

08 agosto, 2010

DIA DOS PAIS: DE NOVO, NOVAMENTE

Este já foi postado aqui, tempos atrás. Como ainda gosto e pai é pai, não é paiço, aí vai pra todos os pais.
Inclusive para os sem coragem.

eh meu pai!


[poeira entra em meus olhos
não fico zangado não
pois sei que quando eu morrer
meu corpo irá para o chão
se transformar em poeira
poeira vermelha
poeira do meu sertão
{que ouvi com Cascatinha e Inhana lá pelos meus seis carnavais)]*

eh meu pai nosso que estais comigo
santificado seja o nosso rumo
caminhas por onde estou
como eu danças no bojo do vento que brinca nesta beiramar
onde mulheres bonitas
- ah como tu irias gostar de vê-las!
cheirosas balançando suas nádegas
prestes a romper justas malhas coloridas
e ofuscar o sol
maravilhar o sol
beiramar continuação
embora aparentemente distante
da morada da tua ex-carne
aparente porque quando olho tu olhas
sentes a escuma da cerveja que bebo
e te escuto a bronquear por minha barba
e meu cabelo comprido que este nosso vento bagunça
e aquela do jogo de futebol entre cabelo ruim e cabelo bom? hein?
sabes que riem quando esta tua nossa história
e outra vez desobedeço
filho do Leite que sou
e se fosse diferente terias vergonha de mim
como teve em Pedregulho
enquanto me gritavas teu orgulho
- na nossa família tem criminoso; ladrão, não!

eh meu pai nosso que estais comigo
quando passo/passa por mim uma bela mulher
solteira casada tanto faz
e me lembro do quanto demorei para perceber
o porquê daquele teu sorrir safado
quando tocava a ponta do nariz com a língua
continuas vivo
nos chanfros onde derramastes tua solda
dos cafundós das Geraes aos cafundós da África
da Rua dos Cachorros ao Brega de Candeias

eh meu pai nosso que estais comigo
rei dos cavalos bravios de Peçanha
criado a samambaia e angu
desafiando as leis protéicas e vitamínicas
em tuas mortes não morridas
tuberculoses maleitas costelas quebradas
eletrochoque apendicites e etc
e o petit déjeuner de cerveja e conhaque

eh meu pai nosso que estais comigo
como nos domingos curitibanos de missa feijoada e zoológico
das cervejas no Caneca de Sangue
dois perdidos em Jacarezinho depois de goles de Ipanema
as noites nos botecos da baixada fluminense
e aquele insólito estilo de dividir a grana:
fregueses dos botecos saindo sorrateiros atrás de fregueses do boteco
e voltando sorridentes a contar o dinheiro dos fregueses do boteco:
a grana de mão em mão até à gaveta do balcão
onde descansaria até ser coletada sob mira do treizoitão
e outro balcão outro freguês outras mãos outras...
do baixo dos meus 20 anos olhava pra ti
e ouvia teu já conhecido mote, desde Curitiba
- onde tem gente vai gente
e lá íamos outra vez pra dentro da noite
cruel moedora de hipócritas e frouxos
bundas-moles rejeitados até pelo ralo da vida
a se perguntarem o quê fazer na superfície
além de bancarem os prazeres sadomasô de farmacêuticos
advogados cardiologistas psyco-gurus
e outras espécies de geriaputas

eh meu pai nosso que estais comigo
te vejo correndo atrás do Gentil homem
que atirou em meu primeiro amigo Suíço
protagonista da primeira cena de cinema
que ainda habita minhas retinas por quase meio século;
tu quixoterói canivete na mão rua abaixo
no encalço de Gentil e seu 38 que lhe pedia:
- não vem Leite, não vem!
e Mareca correndo e gritando e caindo na poeira sobre um Tião ainda em seu ventre
e tudo na hora do almoço
e eu tinha 4
e por esta e outras cenas do mesmo naipe
hoje ultrapasso os 400

eh meu pai nosso que estais comigo
e com teus filhos por sangue ou escolha e amigos
que dionisiacamente te saudaram noite adentro
rindo de suas/nossas histórias
sorrisos porque não mereces choro
nem a hipocrisia do respeito
que respeito é a súplica dos fracos

eh meu pai nosso que estais comigo
cavalgando alta mula de arreios tilintantes
cruzastes o Suassuí-Poca
este nosso Hades
reza de Vó Rosa a abrir porteiras
e no pa-ca-tá pa-ca-tá das patas levantando a terra vermelha
tua alegria a se fundir com o horizonte

eh meu pai nosso que estais
vivo é o vosso sumo

lagoa, 28/11/06

Ps.: MÁRIO MOTTA disse-me que quem canta é o DUO GLACIAL; como ele tem mais tempo de circo, mantenho o verso porque assim composto foi.

30 junho, 2010

A PARTILHA

Inspirado neste nosso jetim de resolver as pendengas, tão comum à cultura deste Brasirsão onde quem parte não reparte, às vezes sai alguma. Então, pra aliviar, aí vai uma das brincadeiras que compus em um dos muitos momentos de paz e excesso de sossego que soem acontecer-me.
E nem tinha assistido o jornal das sete!
Desejo que ou que não gostem.
Divindo:

A PARTILHA

“quem parte e reparte,
fica com a maior parte”
(da ignorância popular)

a propósito,
não seriam o seqüestro, o estupro, o roubo,
a corrupção, o dízimo,
a esmola, a extorsão, a quermesse,
o golpe do baú, a prostituição e,
principalmente,
aquele nosso jeitinho,
meras alternativas de distribuição de renda
eclipsadas nas teses de Mister Adam Smith e seus neo-comparsas?

08 março, 2010

DIA DAS MENINAS

Porque todo dia é dia das meninas, porque tudo vem das meninas, porque somos todos das meninas, neste dia e todo dia, aí vai uma brincadeira que compus para elas. Elas que nos fazem navegadores no mar das procelas, como afirma GILBERTO GIL na canção ELA, do disco REFAZENDA.
Marmanjos, rendamo-nos a elas!
{8¬)

PRA TU VÊ

deus
um cabôco de muita paciência
(um trem que poderia ter feito num vapt-vupt
acabou por levar uma semana da sua santa eternidade!)
fez o mundo e as coisas todas:
as paradas, as móveis e as imóveis
fez o homem
(os imóveis inventaram os automóveis)
e de uma lasca deste
fez a mulé

pronto o serviço
deu um passo pra trás
enxugou o suor da testa
(embora o sol só tivesse uma semana de brilho
tava de rachar mamona)
admirou aquela sua obra-prima
(até pensou umas besteiras mas...)
sorriu satisfeito e disse:
- cuida deste trem todo pra mim, minha filha

no sétimo dia
criou as férias e partiu pra curtir uma ilha famosa
chegou a ser visto flanando pela noite do centrinho da lagoa
(embora ninguém o tenha fotografado
há quem jure ter ouvido um cabel(barb)udo exclamar
ao ver um semelhante a enfiar sementes num barbante:
- jisuis! haja paciência!)

tava feito o paraíso

não fosse este bando de cornos
(alguns estabelecidos
outros candidatos a)
que teimam em não obedecer as gerentas
a gente estaria nadando de braçada



Ps.: como sempre, há muitas informações nos hyperlinks (palavras realçadas); clique e confira: tem até discos de presente.

14 dezembro, 2009

NÃO CARA-PÁLIDA!

Do meu ponto de vista, o voto ainda é o jeito de mudar a realidade política. Porém, compreendo o gesto do MASSIMO, que fez a novembrada italiana acontecer em dezembro.
Numa suavemente singela homenagem ao ilustre MASSIMO, que acaricou devidamente a histricionice calhorda de SILVIO BERLUSCONI, aí vai um poemeu:

NÃO CARA-PÁLIDA!

sei que só
não salvarei a tribo
mas não serei o batedor
que dirá à cavalaria
qual é a melhor hora para o ataque

não me cativam teus espelhos e contas de vidro


}8¬)

20 novembro, 2009

PARADO É SUSPEITO

Com não é um dia de mandar flores e, sim, chumbo, solto os cachorros. A festinha pro pessoal do camarotes, outros que a façam.
Aí vai mais um poemeta que tem algo a ver com a data.
Desejo que sinta.
{8¬V

PARADO É SUSPEITO, CORRENDO É LADRÃO

ainda há pouco te observava mudar de
cor ao me ver chegando
teu coração batendo à boca
os olhos arregalados
o outro trancado

ledo engano heim madame?
pena que o negão não tava chegando
tava só passando
o que prá madame já é demais
coitadinha
toca a engolir o coração de volta

pois é
nessas horas
a madame se esquece
das porradas que leva do galego seu
marido
daquele vizinho de condomínio que
estuprou a empregadinha
do outro
que a madame deconfia
que transa com a própria filha
se esquece até daquele pesadelo
que pertuba suas noites de jejum
a madame tá caminhando no guarujá
de repente
salta em cima da madame
aquele puta negão pelado
aquela coisa preta
aí a madame quer correr
as pernas amolecem
cai
sente aquelas mãos ásperas
aquela boca chegando... chegando...
e aí...

a madame acorda toda molhadinha
todo o corpo ardendo
e não consegue mais dormir com o
ronco do galego

tudo isso me dá um dó
porque eu vejo o mesmo nos olhos da sua
filhinha tão fresquinha
e daquele seu filhinho de fala mole
imagino
que os seus antigos também eram assim

mas olha
liga não
vida de nego é difícil
(já dizia a canção)
mas a de branco também não é fácil
é cada susto
e aí eu levo uma vantagem
não tenho a grana mas sou negro
só me assusto quando pintam os...
(a madame sabe de quem tou falando)
pois nunca se sabe
se eles tão do lado da gente
ou da madame

mas sabe
no fundo
não vou perder meu tempo te odiando
te desejo fama e glória
ainda quero ver sua foto
nas paradas de sucesso do NP

e prá madame ver como são as coisas
no momento em que te falo
(sugestivo heim?)
tou tomando um vinho branco
com uma amiga que tem a pele como a tua
só que não é branca
é uma amiga

PALMAS? NÃO!

Aí vai um poemeta suave.
{8¬V

PALMAS, NÃO! PALMARES!

relhos
correntes
troncos
mares de sangue a escorrer pelas pedras
do pátio
no ar
os ódios e os gritos
a vida explodindo em vergões
(platéia apostas vivas sus!
doutores pedindo MAIS!
beatos pedindo MAIS!
ricos pobres
crianças velhos
madames prostitutas
todos pedindo MAAIIISSSS!!!)

frenesi
orgasmo na geral
a massa babando de prazer
um outro carnaval
não eram três dias
mas trezentos e sessen...
(lá se vão os séculos
e corpos ainda se imolam
para o deleite das almas brancas
nos dias em que lhes é permitido
fugir das senzalas do morro)

hoje o brilho na avenida
amanhã o elevador de serviço
ou quem sabe
com um pouco de sorte
umas verdinhas no câmbio do mangue

21 maio, 2009

ANTI-ULISSES


Este foi declarado num dos dias mais especiais do meu viver:

anti-ulisses

ao canto das sirenas
desato-me
quero o a mim destinado
sem tirar nem por
sem alívio

sem medo
mergulho no que se me abre


coqueiros, 11/04/09


Ps.: imagem emprestada do blog de
Solange

20 novembro, 2008

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA?


PALMAS, NÃO. PALMARES!*
(Shasça)

relhos
correntes
troncos
mares de sangue a escorrer pelas pedras
do pátio
no ar
os ódios e os gritos
a vida explodindo em vergões
(platéia apostas vivas sus!
doutores pedindo MAIS!
beatos pedindo MAIS!
ricos pobres
crianças velhos
madames prostitutas
todos pedindo MAAIIISSSS!!!)

frenesi
orgasmo na geral
a massa babando de prazer
um outro carnaval
não eram três dias
mas trezentos e sessen...
(lá se vão os séculos
e corpos ainda se imolam
para o deleite das almas brancas
nos dias em que lhes é permitido
fugir das senzalas do morro)

hoje o brilho na avenida
amanhã o elevador de serviço
ou quem sabe
com um pouco de sorte
umas verdinhas no câmbio do mangue


Ps.1 - Foto: Luis Gama, emprestada do site da FUNDAÇÃO CULTURA PALMARES

Ps. 2 - * uma suave brincadeirinha lá dos anos 80...

22 outubro, 2008

A PARTILHA

“quem parte e reparte,
fica com a maior parte”
(da ignorância popular)

a propósito,
não seriam o seqüestro, o estupro, o roubo,
a corrupção, o dízimo,
a esmola, a extorsão, a quermesse,
o golpe do baú, a prostituição e,
principalmente,
aquele nosso jeitinho,
meras alternativas de distribuição de renda
eclipsadas nas teses de Mister Adam Smith e seus neo-comparsas?

21 outubro, 2008

SEM SAUDADES

Há 83 outubros Leite veio dar uma volta por aqui. Hoje, toca sua tropa pra outras bandas. Este é meu hino a ele:


eh meu pai!

[
poeira entra em meus olhos
não fico zangado não
pois sei que quando eu morrer
meu corpo irá para o chão
se transformar em poeira
poeira vermelha
poeira do meu sertão

{que ouvi com Cascatinha e Inhana lá pelos meus seis carnavais)]

eh meu pai nosso que estais comigo
santificado seja o nosso rumo
caminhas por onde estou
como eu danças no bojo do vento que brinca nesta beiramar
onde mulheres bonitas
- ah como tu irias gostar de vê-las!
cheirosas balançando suas nádegas
prestes a romper justas malhas coloridas
e ofuscar o sol
maravilhar o sol
beiramar continuação
embora aparentemente distante
da morada da tua ex-carne
aparente porque quando olho tu olhas
sentes a escuma da cerveja que bebo
e te escuto a bronquear por minha barba
e meu cabelo comprido que este nosso vento bagunça
e aquela do jogo de futebol entre cabelo ruim e cabelo bom? hein?
sabes que riem quando esta tua nossa história
e outra vez desobedeço
filho do Leite que sou
e se fosse diferente terias vergonha de mim
como teve em Pedregulho
enquanto me gritavas teu orgulho
- na nossa família tem criminoso; ladrão, não!

eh meu pai nosso que estais comigo
quando passo/passa por mim uma bela mulher
solteira casada tanto faz
e me lembro do quanto demorei para perceber
o porquê daquele teu sorrir safado
quando tocava a ponta do nariz com a língua
continuas vivo
nos chanfros onde derramastes tua solda
dos cafundós das Geraes aos cafundós da África
da Rua dos Cachorros ao Brega de Candeias

eh meu pai nosso que estais comigo
rei dos cavalos bravios de Peçanha
criado a samambaia e angu
desafiando as leis protéicas e vitamínicas
em tuas mortes não morridas
tuberculoses maleitas costelas quebradas
eletrochoque apendicites e etc
e o petit déjeuner de cerveja e conhaque

eh meu pai nosso que estais comigo
como nos domingos curitibanos de missa feijoada e zoológico
das cervejas no Caneca de Sangue
dois perdidos em Jacarezinho depois de goles de Ipanema
as noites nos botecos da baixada fluminense
e aquele insólito estilo de dividir a grana:
fregueses dos botecos saindo sorrateiros atrás de fregueses do boteco
e voltando sorridentes a contar o dinheiro dos fregueses do boteco:
a grana de mão em mão até à gaveta do balcão
onde descansaria até ser coletada sob mira do treizoitão
e outro balcão outro freguês outras mãos outras...
do baixo dos meus 20 anos olhava pra ti
e ouvia teu já conhecido mote, desde Curitiba
- onde tem gente vai gente
e lá íamos outra vez pra dentro da noite
cruel moedora de hipócritas e frouxos
bundas-moles rejeitados até pelo ralo da vida
a se perguntarem o quê fazer na superfície
além de bancarem os prazeres sadomasô de farmacêuticos
advogados cardiologistas psyco-gurus
e outras espécies de geriaputas

eh meu pai nosso que estais comigo
te vejo correndo atrás do Gentil homem
que atirou em meu primeiro amigo Suíço
protagonista da primeira cena de cinema
que ainda habita minhas retinas por quase meio século;
tu quixoterói canivete na mão rua abaixo
no encalço de Gentil e seu 38 que lhe pedia:
- não vem Leite, não vem!
e Mareca correndo e gritando e caindo na poeira sobre um Tião ainda em seu ventre
e tudo na hora do almoço
e eu tinha 4
e por esta e outras cenas do mesmo naipe
hoje ultrapasso os 400

eh meu pai nosso que estais comigo
e com teus filhos por sangue ou escolha e amigos
que dionisiacamente te saudaram noite adentro
rindo de suas/nossas histórias
sorrisos porque não mereces choro
nem a hipocrisia do respeito
que respeito é a súplica dos fracos

eh meu pai nosso que estais comigo
cavalgando alta mula de arreios tilintantes
cruzastes o Suassuí-Poca
este nosso Hades
reza de Vó Rosa a abrir porteiras
e no pa-ca-tá pa-ca-tá das patas levantando a terra vermelha
tua alegria a se fundir com o horizonte

eh meu pai nosso que estais
vivo é o vosso sumo

lagoa, 28/11/06

26 dezembro, 2007

ANO NOVO, VIDA NOVA?

ANO NOVO, VIDA NOVA?

Como sou mineiro, desconfio até se este marzão aí é de verdade verdadeira. Daí, como sou mineiro, mas não sou bobo, reflito pouco e tudo curto. Desde que não dê cadeia nem doa, é claro!
Pois que mineiro não dorme no ponto: carpe diem, noitem e o que mais aparecem. Manter a inchada sempre afiada é imprescindível. E, se a farinha é pouca ou muita, o importante é lamber os dedos de uma mão enquanto enche o garfo com a outra.
Pra quem não tem a mesma sina - e pros que têm, também - aí vai um mantra pacientemente elaborado por Shascívicus, mediano filósofo pré-socrático (Raquel, minha irmã de Americana e Unicamp deve se lembrar do nascimento deste filósofo). Pode ser utilizado como silenciosa trilha sonora para o meditar ao som de dentadas e goles. Ou não...
E que toda pessoa tenha muito mais de tudo o que deseja pra si.
<{8¬)

“QUEM RI POR ÚLTIMO...

- bom dia!
o nó da gravata
o muito trabalho
o parco salário
o saco do patrão
a prestação vencida
o apito
o fim do dia
e aquele pavor de cruzar
com um maldito trombadinha na esquina
mas...
- até amanhã!
e lá vai sorriso

- olá queridos!
a barba por fazer
o vício do filho
a gravidez da filha
o flagelo da esposa
o presente da amante
à noite
insônia
e aquele cotidiano desespero
de dormir para sempre
mas...
- hoje não querida
e lá vai sorriso

e prepara-se para os melhores dias
sorrindo por entre as rugas
insensatas trepadeiras
a esculpir-lhe o futuro inexorável

... RI O QUE SOBRA”


Ps.: a foto é um milagre da Bunitinha.

19 dezembro, 2007

PRA ALIVIAR A PRESSÃO

lagoa

esta lua cheia
por sobre barcos que cochilam desnecessariamente atados ao trapiche
- o melhor do mundo é o lugar aqui
e desde muito antes do agora
desafia-me

serei depois de tantas vozes
capaz de cantar esta magia que se enfronha em mim
a ponto de me sentir nela
enquanto a sinto em mim

mesmo que se me afrouxasse o último sopro do nervo ótico
sedasse a última possibilidade táctil
unísson(m)os eu e tu lagoalua

e tá feito!
aceito
viver é topar riscos
disse outro mineiro aí num livro aí

Lagoa, 30/08/04

Ps.: a foto da Lagoa da Conceição é de minha mana Alu Mulder, que sabe o que faz com este trem de tirar retrato.