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24 abril, 2015

PAIRAM PASSARALHOS



Recentemente, alguns PASSARALHOS sobrevoaram as redações da mídia impressa e televisada. E a revoada não foi sobre as pequenas empresas do ramo. Ocorreu sobre algumas das principais, aquelas consideradas formadoras de opinião, embora haja discordância.
Obviamente, qualquer situação de desemprego é triste. A não ser quando esta se abate sobre o piloto da forca ou da guilhotina. Porém, alguns dos mais prestigiados e bem pagos jornalistas ou – pior – comentaristas e/ou articulistas, parecem se esquecer que também são empregados, embora atuem como bocas de aluguel. Parecem não perceber que os tapinhas nas costas e os convites para passear em aeronaves públicas não os tornam patrões ou ilustres membros da comitiva governamentais.
Neste exato momento da vida política brasileira, a Câmara dos Deputados acaba de abrir a possibilidade de que, praticamente, todo emprego passe a ostentar o prefixo sub, com as devidas conseqüências salariais. Como tem acontecido em outros momentos de nossa História, os jornalistas ou – pior – comentaristas e/ou articulistas que desfrutam de maior audiência assumem seus postos de correias de transmissão das entidades patronais. Portam-se como se sua existência só seja possível através do sangue alheio.

Pelo que diz o COMUNIQUE-SE, de onde emprestei a imagem acima, há sindicatos de jornalistas empenhando-se em afirmar que jornalista é trabalhador. Tomara as bocas de aluguel acordem. Ou sejam derrubadas do catre esplêndido.
Aliás, de vez em quando, alguma é derrubada, como no caso do imparcialíssimo JABOUR que foi apeado do Estadão.

Ps. 1 – a imagem é do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
Ps. 2 – para saber mais, clique nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

14 dezembro, 2009

RUBEM BRAGA: RETRATO AO SENHOR 903


Nestes tempos em que pulhas mal-intecionados como JABOUR e MAINARDI, ainda que sob aspectos pseudo-bacanas como LUFT, são as leituras recomendadas em jornais e revistas, vou na contra-mão. Divido com o visitante uma acepipe literário. Trata-se de uma crônica de RUBEM BRAGA publicada em janeiro de 1953 e que consta da obra A CIDADE E A ROÇA, (EDITORA DO AUTOR, 19956)

Veja como é (ou já foi) possível escrever uma crônica sem espumas pelos cantos da boca. Aliás, deve ser por este detalhe que raramente temos livros assim expostos nas MEGASTORES de todos os tipos. Por isto mesmo, recomento aos que gostarem do estilo que garimpem nos sebos, apoiemos sebos... INVISTAM EM SEBOS!

Carpem todos os dias!

{8¬)

Ps.: experimentem navegar pelos hyperlinks (palavras realçadas)

29 outubro, 2007

JABOURU

Pois bem (pra usar o estilo Jaburu)
Vou contar pra vocês uma historinha protagonizada por esta nossa fantástica sentinela figura, guardião-mor da moral e bons costumes da terra brasilis. Este singelo conto de fodas explica o azedume do ex-cineasta que descobriu uma forma infalível de ganhar grana. Assim como o Dráuzio Varella e o Maurício Kubrusly também perceberam que muito poderiam ampliar seus indignos rendimentos se passassem a discutir a cor da pomba das anjas e a investigar se o pássaro preto é mesmo preto ou só o fingi ser.
Voltemos ao global enfant terrible.
Alguns guris, ao descobrirem a sexualidade na tenra, terna e doce infância, optam por desenvolvê-la através de trabalho em grupo. Daí, soe acontecer de trocarem isto e aquilo com algum coleguinha optante pelo mesmo modus operandi. Estando bom para ambas as partes, com diz aquele excelso deputado paulista colega de outros tão excelsos quanto, fica todo mundo satisfeito com o que leva.
Com o Jabouru aconteceu um imprevisto traumatizante. Foram lá pra moita, ele e um coleguinha também disposto a descobrir os tais mistérios gozosos dos quais fala o livro, aquele. O coleguinha soltou os suspensórios e arreou a bermudinha cor azul-calcinha com barra de cor idem, atracou-se delicadamente ao cupim e oferendou o derrière (o butão, como diria cumpadi Orni). Jabouru, rapinante como de costume, crau!
Feito o serviço, bateu-lhe a coceirinha. Jabouru deixou escorrer o xortisinho florido, atracou-se ao cupim, o mesmo, e entregou-se a enlevadas elucubrações freudianas. Quando Ipojuquinha encostou-lhe o bingolim no raiado, ouviu aquela voz inconfundível:
-“Vais perder a aula, Jabouruzinho! Vem que o papá está à mesa!”
E lá se foi o guri, resmungando horrores, maldizendo aquela corta-barato. Não conseguira ser comido. E um não comido, embora desejoso, é um caso triste de doer. Lá nele, claro.
Vem daí a sua figura sorumbática e furibunda e o seu estilo desenvolvido após muito estudar Zé Fernandes e Pedro de Lara. Também vem daí sua dificuldade em enxergar alguma coisa bonita ou alegre na vida.
Embora acredite que desenvolver e manter um trauma é uma espécie de opção, penso que hábitos da infância podem influenciar a adultice de alguns. Ou de muitos, talvez.
Pronto. Aguardo os apupos dos seus ardorosos fãs.