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11 junho, 2020

ONDE ESTÁ O SEU JOELHO?

Atenção!
A imagem expõe um ato genuinamente humano. E, antes que alguém venha com aquele papo de “o Homem é um animal que não deu certo”, lembro que gatos costumam brincar com ratos ou passarinhos antes de mastigá-los.
A diferença entre o Homo Sapiens e os demais animais – inclusive as demais espécies de Homo – é a capacidade de refletir a respeito de seus atos e as possíveis conseqüências dos mesmos. Então, antes de mirar apenas no portador do joelho ou em outros policiais, reflita sobre qual comportamento você tem desejado e/ou exigido da Polícia. Porque policiais, assim como outros militares, compõem o braço armado do Estado. Sua função é fazer cumprir a Lei.
Acontece que Estado não é uma entidade com corpo físico e vontade própria. Simplificando por demais – e já pedindo perdão a meus mestres ifichianos – é a organização instituída por uma determinada sociedade com o objetivo de garantir o adequado funcionamento do seu viver coletivo.
Há quem jure, em momentos como o atual, que não é racista. Mesmo quando repete – só de brincadeira – o slogan “preto parado é suspeito; correndo é ladrão” para filhos, amigos e vizinhos, em meio a inocentes risadas. E, realmente, acredita que não é racista ou que o racismo não existe.
De fato, não existe preconceito racial. O racismo é um conceito socialmente desenvolvido e difundido, nem sempre de maneira sutil, pela parcela da Sociedade que se beneficia do mesmo. É mais um instrumento útil a alguns que exercem ou desejam exercer o Poder.
Sugestão: antes de refletir sobre o texto, experimente ler esta notícia do EXTRA:





Policial branco agride comerciante negro vítima de furto por ter 'se confundido'


09 junho, 2016

CPMF? SIM, POR QUE NÃO?


Quando o governo paulista aumentou a ALÍQUOTA DE ICMS SOBRE A CERVEJA, os fabricantes puderam inserir o reajuste nos seus preços. Qual empregado em cervejaria ou outro tipo de empresa, que tenha o costume de cultuar uma estupidamente gelada, pode fazer o mesmo com seu salário? Salário, boa parte do qual é, às vezes, aplicada no saboroso citado culto.
Já afirmei em postagens alhures e, por absurdo que possa parecer à maioria das pessoas, mantenho a opinião: quem paga impostos e tributos, ao fim e ao cabo, é o assalariado. E isto independe de o salário ser o mínimo ou o top da empresa. Apenas empresários, profissionais liberais e prestadores de serviço têm a possibilidade de incorporar impostos e tributos por ventura recolhidos aos seus rendimentos.
As entidades que representam assalariados deveriam apoiar, por exemplo, contribuições como a CPMF, cujo objetivo declarado é ampliar os recursos destinados aos serviços de Saúde Pública. Obviamente que este apoio deve ser acompanhado do direito à participação na fiscalização e no acesso às decisões sobre a aplicação dos recursos recolhidos.
Talvez isto nunca aconteça. Talvez venha a acontecer quando assalariados compreenderem que o valor referente ao plano de saúde privado – que julgam ser um benefício propiciado pelas empresas – nada mais é que uma parte do salário que recebem. Porém, esta parte não conta para o cálculo de FGTS, férias, 13º salário, aposentaria etc. O mesmo se dá com vales transporte ou refeição. Ou você aí, nobre assalariado, recebe vale refeição quando entra em férias?
Os sindicatos deveriam se empenhar um pouco mais pela melhoria dos serviços públicos de Saúde, Educação, Segurança e outros que se destinam ao respeitável Público. Creio que os valores recolhidos via CPMF, se aplicados adequadamente, seriam bem inferiores ao que se paga para usufruir da sensação de se ter médicos e hospitais disponibilizados por aquele plano de saúde que vem descontado pontualmente nos holleriths. Descontos pontuais por atendimentos eventuais.
Enfim, impostos e tributos não recaem sobre a parcela mais pobre da população, como afirmam os liberais. Recaem sobre a parcela da população que sobrevive de salário.
Captou?

Ps. 1 – imagem “emprestada” do FICHACORRIDA.
Ps. 2 – saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

13 janeiro, 2015

JE SUIS NASSIF?


Olhaí mais uma oportunidade das pessoas demonstrarem seu apoio à liberdade de expressão. Recentemente, tivemos a CONDENAÇÃO de Paulo Henrique Amorim por injúria contra Heraldo Pereira devido ter dito que o jornalista global tem alma branca. Não me lembro de ter visto camisetas ou charges com a frase “somos todos Paulo”.
Claro que aconteceram reações aqui e acolá, mas nada muito incisivo. Talvez tenha sido assim pelo fato de Heraldo trabalhar na Globo e Paulo ser considerado, por alguns, como petralha militante.
Há também o caso do processo de ALI KAMEL, outro jornalista global, contra o blog O CAFEZINHO por ter sido chamado de !sacripanta reacionário e golpista". Como se sabe, Kamel não é do tipo que leva problemas para casa. Muito ao contrário, ele é muito zeloso no trabalho de eliminar possíveis problemas a quem lhe garante o “faz-me rir”, não importa às custas do quê.
Agora, a tal Justiça condena Luiz Nassif por realizar, segundo Kamel, “’campanha difamatória na internet’ ao dizer que Kamel engana seu público, faz armações e deturpa fatos”.
Então? Somos todos Nassif? Somos todos Paulo?
E olha que nem estou a perguntar se fomos todos ESCOLA BASE.
{8¬?

Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).


18 dezembro, 2014

ARRIBA, CUBA!





A notícia da RETOMADA do contato entre Cuba e EUA tomou o mundo com um misto de surpresa positiva, para aqueles que torcem pela felicidade do povo, e decepção para aqueles que, ao verem um pano vermelho, tremem mais que MARIA quando é obrigado a entrar no Horto. Ainda não vi os espamos de Reinaldo Azevedo, Jabour ou Mainardi, mas curti a tristeza de YOANI SÁNCHEZ ao sentir que corre risco de perder boquinha de dedo-duro.
A manchete de alguns jornais brasileiros bem poderia ter sido: OBAMA OBEDECE JUVIDOSA DIREITISTA BRASILEIRA E VAI PRA CUBA. Ficaria perfeita nas vozes dos William’s Bonner & Waack; Casoy também não faria feio. Imagino seus semblantes ao dar a notícia sem poder repisar, por exemplo, as invencionices a respeito do PORTO DE MARIEL. Talvez fizessem figa, com a mão às costas.
É óbvio que não dá para ser romântico sobre as razões deste inicial – tomara que se amplie – afrouxar o embargo imposto aos cubanos. Uma delas deve ser o medo de que China e Rússia ocupem este espaço tão próximo do quintal de Tio Sam. Sabe-se que estes dois países estão envolvidos na construção de um CANAL TRANSOCÊANICO na Nicarágua. Até o Brasil tem posto as manguinhas de fora ao investir na construção do já referido porto.
Esta “abertura” norte-americana bem pode ser mais uma versão da clássica FRASE de Lampedusa na obra “O Leopardo”. Porém, como diz VEI LEITE, “quem vai bater está sujeito a apanhar”. Então, pode acontecer de o povo cubano fazer uma limonada deste limão e aproveitar a brecha para desenvolver mais ainda suas potencialidades.
Viva Cuba!


Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

28 agosto, 2013

EMBAIXADA DO DOI-CODI?!


Mô povo,
Será ofensa à fauna chamar de bestagem o ato de um cara que deve ter estudado dias e noites (ou ter sido bem indicado) para ser aprovado no Colégio Rio Branco e que, numa explosão de sinapses, comprar uma embaixada brasileira, seja lá onde for for, com o DOI-CODI?
Confiram a fantástica frase que pode ser conferida no GLOBO. COM:

"- Eu me sentia como se tivesse o DOI-Codi ao lado da minha sala de trabalho. Um confinamento prolongado e sem perspectivas - disse Saboia"
Que tipo de escola este cara frequentou? Quem terá sido o professor de História desta sumidade da diplomacia?
Não é à toa que Aócio & ACMelhados apoiam sua atitude. O pessoal que não consegue assistir filme com legenda também deve apoiar.

Sempre imaginei - e agora, já estou repensando isto - que diplomatas são pessoas que se preparam para,
principalmente, resolver conflitos entre nações.
A cena parece ser de um filme onde o mocinho invade o castelo para libertar os hóspedes da masmorra. Isto dá, no mínimo, uma mini-série na platinada. Ou uma fotonovela na Zóia.
Eu, hein?

Ps. 1 - Na imagem VLADIMIR HERZOG, que não teve a mesma sorte na embaixada do DOI-CODI.
Ps.2 - Saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

04 maio, 2012

DESTRUIR A OBRA? ASSIM NÃO, MÍRIAM LEITÃO

Pra fechar esta série (porque o assunto permanecerá), que tal reler esta postagem de REINALDO AZEVEDO a respeito de artigo de MÍRIAM LEITÃO sobre a questão racial brasileira, na qual ela trata de cotas raciais, inclusive. O artigo de Míriam a que Reinaldo se refere é DESTRUIR A OBRA.
Que tal refletir sobre o tema deixar sua opinião nos comentários.



08/03/2010 às 20:44


A jornalista de economia Miriam Leitão é um dos alvos costumeiros do subjornalismo a soldo que toma conta da Internet. Mais de uma vez, sua reputação profissional foi atacada de maneira vil pelos tontons-maCUTs, especialmente nos tempos em que ela ficou praticamente sozinha na defesa da sobrevalorização cambial. À época, eu achava que ela estava equivocada — o que ficou claramente evidenciado. Mas nunca considerei que fosse má fé. Às vezes, as pessoas erram.
Seu prestígio profissional, felizmente, sobreviveu a um erro histórico. Sinal de que ela tinha e tem qualidades que podem suportar uma escolha errada. Quando se erra de boa-fé, sempre há a chance para corrigir as falhas. Miriam, é verdade, nos tempos da sobrevalorização cambial, não abria muito espaço para o contraditório. Havia sempre a sugestão nada leve de que os que se opunham à sua teoria gostavam mesmo era de farra, de inflação, de gastança.
Compreendo. Há pessoas que têm esse temperamento, vamos dizer, obsessivo. Quando abraçam uma causa, consideram que o contraditório significa uma aposta na barbárie. Sentem-se, assim, donas da civilização, do moderno, do progresso.
Miriam tem, no momento, duas “sobrevalorizações cambiais”: o aquecimento global e o suposto racismo no Brasil. A simples sugestão de que as coisas possam não ser como diz a militância basta para que os “adversários” sejam lançados à condição de obscurantistas, de reacionários, de inimigos do progresso e da civilização.
Sua coluna no Globo, reproduzida em seu blog, sobre a fala do senador Demóstenes Torres é um primor de preconceito, grosseria e, lamento dizer, confusão conceitual e histórica. Não vou me ater à sua leitura do racismo etc e tal porque repetiria argumentos. Quero me fixar na segunda metade do artigo. Ela vai em vermelho; eu, em azul:

No Brasil, o esforço focado nos negros é chamado de discriminação. E os brancos pobres? Perguntam. Eles estão também nas ações afirmativas, e nas cotas, mas o curioso é que só se lembre dos brancos pobres no momento em que se fala em alguma política favorável a pretos e pardos.
Miriam Leitão faz de conta que ela respondeu a questão que ela mesma se fez. Mas não respondeu. Recoloco a pergunta: “E os brancos pobres?” Ainda que fosse verdade que só se lembraram deles agora, a questão continua sem resposta. E é mentira que as coisas pararam por aí: muitos defendem — NÃO É O MEU CASO, DEIXO CLARO — cotas sociais nas universidades. Não é o meu caso porque acho que o problema está na qualidade dos ensinos fundamental e médio.
É temporada da coleção de argumentos velhos que reaparecem para evitar que o Brasil faça o que sugeriu Joaquim Nabuco, morto há 100 anos, em frase memorável: “Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra.”
Máxima vênia, o Nabuco de Miriam Leitão tem a mesma profundidade do Gilberto Freyre de Aiatoéllio Gaspari. A frase pinçada inverte o sinal da obra do abolicionista pernambucano. Ele pensava numa nação integrada, não num país que subtraísse direitos de alguns pobres porque brancos para dar a outros pobres porque negros. É essa imoralidade básica que Miriam Leitão e os defensores das cotas se negam a debater.
Diante de qualquer proposta para reduzir as desigualdades raciais, principal obra da escravidão, aparece alguém para declamar: “Todos são iguais perante a lei.” E são. Mas o tratamento diferenciado aos discriminados existe exatamente para igualar oportunidades e garantir o princípio constitucional.
O argumento é tristemente falacioso. Isso não poderia ser feito subtraindo um direito universal. E o direito de um estudante — branco, pobre, preto, rico ou pobre — ter acesso à universidade segundo o critério do desempenho está assegurado pela Constituição. Miriam está confundindo as bolas. O negro não pode ser tratado como um portador de necessidades especiais. Aliás, eis um bom exemplo: cada vez mais, com acerto, os locais públicos se caracterizam pela chamada “acessibilidade”: as pessoas com deficiências merecem um tratamento desigual para que possam ter direitos iguais. CORRETÍSSIMO. Mas os direitos dos outros continuam intocados. Ademais, esquece-se o que está em debate: na UnB, um branco pobre pode ser preterido em benefício de um negro rico. Isso é um fato. O sistema é tão estúpido que aprovou um dos gêmeos no regime de cotas e rejeitou o outro. O Brasil precisa cuidar é de fazer com que a universidade pública, especialmente nos cursos de alta performance, não seja monopólio dos ricos.
O senador Demóstenes foi ao Supremo Tribunal Federal com um argumento extremado: o de que os escravos foram corresponsáveis pela escravidão.
É mentira, Miriam Leitão! Sua afirmação é tão mentirosa quanto aqueles que afirmavam que você defendia a sobrevalorização cambial porque tinha interesses escusos no sistema. O senador Demóstenes não afirmou isso. Ao transcrever a sua [dele] fala, você mesma prova que não.
“Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para a Europa. Não deveriam ter chegado na condição de escravos, mas chegaram. Até o princípio do século XX, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.”
Estude mais e se indigne menos. É história. E isso não faz os escravos co-responsáveis pela escravidão.
Pela tese do senador, eles exportaram, o Brasil importou. Simples. Aonde o crime? Tratava-se apenas de pauta de comércio exterior. Por ele, o fato de ter havido escravos na África; conflitos entre tribos; tribos que capturavam outras para entregar aos traficantes, e tudo o mais, que sabemos, sobre a história africana, isenta de culpa os escravizadores.
Quem disse que isenta? Isso é só um relato do que foi a história da África e do que foi a história da América e da Europa. Quem está fazendo a leitura moral é você, não Demóstenes.
Trazido a valor presente, se algumas mulheres são vítimas de violência dos maridos, isso autoriza todos a agredi-las.
A afirmação é de uma estupidez ímpar. Como Miriam Leitão saltou de uma coisa para chegar à outra é um desses mistérios típicos de uma mente militante, que submete o pensamento ao filtro do ódio. Nesse estágio, ela já parou de pensar.
Ou se há no Brasil casos de trabalho escravo e degradante, isso permite aos outros povos que façam o mesmo conosco. Qual o crime? Se brasileiros levam outros brasileiros para áreas distantes e, com armas e falsas dívidas, os fazem trabalhar sem direitos, qualquer povo pode escravizar os brasileiros.
Desculpe a palavrinha dura, mas o nome disso é vigarice intelectual. Assim seria se Demóstenes tivesse LEMBRADO FATOS HISTÓRICOS para justificar a escravidão. Mas ele não fez isso. Essa é a mentira que vocês, militantes, inventaram.
O senador Demóstenes é um famoso sem noção e com ele não vale a pena gastar munição e argumentos. Que ele fique com sua pobreza de espírito.
Bem, aqui Miriam Leitão revela toda a qualidade do seu argumento. Não podendo contestar o senador, diz que é melhor “não gastar munição”. Bela maneira de debater! Basta desqualificá-lo, e tudo está resolvido. Quais são os outros episódios em que Demóstenes se mostrou um “famoso sem-noção”? Em que mais, a seu juízo, ele está errado? Desde quando a história real, vivida, documentada, é evidência de “pobreza de espírito?”
O que me incomoda é a incapacidade reiterada que vejo em tantos brasileiros de se dar conta do crime hediondo, do genocídio que foi a escravidão brasileira.
Há uma boa possibilidade de que Miriam Leitão não saiba o que é “genocídio”. Até como metáfora ou hipérbole, a palavra é ruim. Por maus motivos do ponto de vista moral, mas atendendo a um sentido econômico, senhora repórter e colunista de economia, fosse a cor de pele sinônimo de raça, a economia colonial não incentivou o genocídio, mas a multiplicação de negros. Era capital. O fato de praticamente a metade dos brasileiros ser mestiça indica a facilidade com que, depois, a miscigenação aconteceu. Quando ela decidir se reunir com Aiatoélio Gasparti para ler Casa Grande & Senzala, vai descobrir, inclusive, que o negro foi o elemento mais, digamos, hígido da formação do povo brasileiro. A tese do genocídio é parente da tese do “estupro original”, e ambas são manifestações da ignorância militante. Miriam Leitão escreve sobre economia. Espera-se dela um aporte racional. O que afirma acima tem muito de fígado e nada de cérebro.
Não creio que as ações afirmativas sejam o acerto com esse passado. Não há acerto possível com um passado tão abjeto e repulsivo, mas feliz é a Nação que reconhece a marca dos erros em sua história e trabalha para construir um futuro novo. Feliz a Nação que tem, entre seus fundadores, um Joaquim Nabuco, que nos aconselha a destruir a obra da escravidão.
Ah, as ações afirmativas não são o acerto com o passado? E como é que se faz esse acerto, então? Agora Miriam Leitão decidiu que não está nem de um lado nem de outro: está ACIMA do debate. É um bom lugar para ficar desde que se diga por quê e com quais elementos. Eu também não acho que as ações afirmativas sejam o acerto com esse passado; eu também acho que é preciso reconhecer os erros — só não sei, e nem ela sabe, o que é exatamente “a nação” culpada. Eu acho que essa culpa não está no branco pobre preterido na universidade porque não tem a cor considerada influente pelos ongueiros e pela Fundação Ford.
Quanto a passados abjetos e repulsivos, vamos ver. Miriam Leitão diria o mesmo sobre os povos africanos que escravizaram povos africanos? Gana, por exemplo, tem “acerto possível” com seu passado repulsivo? E a Europa? E os Estados Unidos? E o Brasil?
Alô, Miriam Leitão, responda-me: ONDE É QUE SE ESCONDE A TRIBO DOS HOMENS INOCENTES? Eu lhe respondo: na imaginação de alguns europeus apostaram no bom selvagem nas Américas. Até que chegaram aqui e descobriram que os bons selvagens comiam Sardinha. Eu estou me referindo, Miriam, ao Bispo Sardinha!
Miriam Leitão é uma competente jornalista de economia. Até quando ela erra, sempre o faz com muito estilo. O melhor elogio que lhe posso fazer é este: às vezes, prefiro ela errando a outros acertando. Por isso, quero impedir que ela se torne, sei lá, uma espécie de romântica desacorçoada. Há, sim, Miriam, forma de a gente se acertar com o passado abjeto: construindo uma sociedade democrática, onde todos sejam iguais perante a lei e onde vigore o estado de direito.
Onde quer que esse modelo tenha sido aplicado, acredite, os resultados foram excelentes. Já os que tentaram outro caminho — e tanto você como eu acreditamos nele um dia — só produziram injustiças e uma montanha de cadáveres.
Desculpe-se com o senador Demóstenes, Miriam. E não se desespere. A civilização tem futuro!

Por Reinaldo Azevedo



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17 outubro, 2008

FORA DAS QUATRO LINHAS...

Lindemberg, o garoto que seqüestrou a namorada e ficou dias com a menina e a amiga dela mais algum(ns) trabuco(s) e balas, colocou uma camisa do São Paulo na janela do apartamento-claustro. Sampaulinos tentaram ajudar, cada um a seu jeito. Entre eles, o gentleman Muricy.
E, pelo jeito, pro Seo Muricy as pessoas se resumem a um bloco de zagueiros. Senão, veja o bom conselho que ele deu de graça ao:
- “Não sei se ele está me ouvindo, acho que não tem muito o que fazer. Já está na hora de definir isso, está ficando chato. Ele libera as meninas e ameniza a pena. Se toca, Lindemberg - avisa o treinador.”

É tudo que uma pessoa desesperada precisa ouvir...

A matéria completa esta no site da
GLOBO.