Por ser de suma importância, volto ao tema.
O amigo Jorge Campos deu sua opinião, pelo jeito, defendendo a desativação da escola que fica junto à Assembléia Estadual de Santa Catarina. Pode-se conferi-la no comentário que Jorge fez na postagem "SANTA CATARINA TEM MAIS ESCOLAS QUE PRECISA?"
Em 05/03/11, Marco Tebaldi, atual Secretário de Educação do Estado de Santa Catarina, enviou-me, via twitter, o seguinte comentário que tomo a liberdade de reproduzir:
"@mtebaldi Marco Tebaldi
@JorgeCampos @tiagomx @shasssa Poucos alunos, custo alto. Não dá para manter uma escola inteira com pouco mais de 90 frequentadores."
Pois bem. No centro de Florianópolis, mesmo com a concorrência do INSTUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO, existem várias escolas particulares repletas de alunos. Não será a queda da qualidade de ensino que fez com que os alunos das escolas públicas desativadas (porque é mais que uma) "fossem embora"? E mais: para onde foram, já que o IEE não comportaria todos os estudantes que deixaram de freqüentar, por exemplo, a já citada Escola de Educação Básica Celso Ramos?
Pergunto ao Secretário, bem como aos eleitores (professores, pais e alunos):
- se estas escolas desativadas forem transformadas em instituições educacionais funcionando em tempo integral, com professores valorizados e mínimas condições de ensino, continuarão a ser preteridas pelos alunos? se é esta a razão, obviamente.
- os pais que trabalham no centro de Floripa não gostarão de poder deixar seus filhos na escola pela manhã e buscá-los no final da tarde?
- qual é opinião dos sindicatos dos empregados no comércio e no serviço público desta que pretende ser a Capital do MERCOSUL?
- qual é a opinião da(s) entidade(s) que representa(m) os estudantes em Florianópolis?
- qual é a opinião da(s) entidade(s) que representa(m) os professores em Florianópolis?
- qual é a opinião dos eleitores de Florianópolis?
- qual é a opinião dos representantes políticos (de situação e oposição) eleitos pelos florianopolitanos?
- e, principalmente, quais as ações possíveis para modificar este triste quadro?
Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas)
Palavras brincantes, nem sempre sisudas. Às vezes, sim. Normalmente, não. No fundo, e no raso, não passa de meu playground. Como playground não é para ser curtido sozinho, todos estão intimados. Um detalhe: este blog não faz a menor questão do novo trambique ortográfico.
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12 março, 2011
16 outubro, 2007
BRINCADEIRINHA
A EDUCAÇÃO EM COSMÓPOLIS: acabaram-se os burros?
Ainda outro dia, quando estava apreciando mais uma atuação do meu glorioso Mancha F. C., um amigo disse-me que nem todos iriam entender
O artigo que escrevi sobre o fim do Cine Avenida. Respondi-lhe, talvez até de maneira deselegante, que eu havia estudado no GEPAN e que ele ainda funcionava no mesmo lugar. Minha intenção era dizer-lhe que o pouco que sei devo, principalmente, à escola pública e que o GEPAN, assim como as outras escolas do Município, continua com suas portas abertas.
Hoje, pensando no que disse, assaltaram-me algumas dúvidas: a quantas andará o meu também glorioso GEPAN? Como são seus mestres? Como são seus atuais formandos e formados?
Estamos presenciando, atualmente, mais um movimento do magistério público por melhores salários. Como sempre, o Estado jura que está preocupadíssimo com a situação do ensino público, mas não tem recursos. Como sempre, apenas uns poucos professores apresentam-se para a luta. Como sempre, os alunos só se preocupam se terão que repor aulas. Como sempre, a Sociedade se divide entre quem consegue manter o filho na escola privada, quem sonha com esta possibilidade e quem ainda tenta, desesperadamente, manter o filho, ao menos, na escola pública. Os “políticos”? Bem, estes são profissionais; não dão ponto sem nó. Na verdade, pouquíssimas pessoas estão preocupadas com os objetivos do tipo de educação que a rede pública tem oferecido.
Tenho ouvido muitos afirmarem que está havendo um desmantelamento do sistema educacional, que o Estado abandonou o ensino público. Ledo engano. Aqueles que ocupam cargos onde as decisões são tomadas, assim como aqueles que dão sustentação política, social e financeira a estes ocupantes de cargos têm objetivos claros: não querem dividir o reinado e, muito menos, largar o osso. Sabem qual é o tipo de estudante, professor, operário ou família que desejam. Enfim, sabem qual é o tipo de sociedade que permitirá que continuem nadando de braçada neste mar de lama que o país tem sido há 495 anos.
Comparada à maioria das cidades brasileiras Cosmópolis possui uma considerável estrutura de ensino de 1º e 2º graus e, além disso, está construindo uma unidade educacional que se pretende seja inovadora. Talvez estejamos vivendo o momento de iniciarmos um debate em busca de propostas adequadas às nossas potencialidades e necessidades. Pode ser que consigamos ir além da tradicional choradeira às vésperas de datas-base e vestibulares. Para sairmos desta pasmaceira intelectual é preciso que os estabelecimentos de ensino entreguem à sociedade algo além de futuros desempregados tecnicamente qualificados.
Bem sei que vão dizer que só critico, que, para mim, nada está bem. Então, fica aqui uma sugestão: que tal todos os interessados na questão, que eu sei são pouquíssimos, mobilizarem-se para a realização de, por exemplo, um SEMINNÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO aberto a toda a sociedade cosmopolense?
Felizmente, há um saldo ecológico na situação: dificilmente um professor tem se sentido apto a chamar um aluno de burro, o que poupa a fauna de comparações pouco louváveis.
Com a palavra, os interessados. Ou os incomodados.
Shasça, 18/04/95
Ps 1: este artigo foi publicado num jornal de Cosmópolis – SP e GEPAN é o colégio onde estudei e tomei gosto por rabiscar minhas brincadeiras. Foi publicado no Jornal de Cosmópolis, em 22/04/1995.
Ps 2: apesar da magistérica efeméride comemorada no 15 de outubro de todo ano, a publicação do artigo não tem a intenção de homenagear aos homenageados do dia. Mesmo porque, muita coisa deve ter mudado de 1995 pra cá. Muita água passou debaixo da ponte do Pirapitingüi. Né mesmo?
Ainda outro dia, quando estava apreciando mais uma atuação do meu glorioso Mancha F. C., um amigo disse-me que nem todos iriam entender
O artigo que escrevi sobre o fim do Cine Avenida. Respondi-lhe, talvez até de maneira deselegante, que eu havia estudado no GEPAN e que ele ainda funcionava no mesmo lugar. Minha intenção era dizer-lhe que o pouco que sei devo, principalmente, à escola pública e que o GEPAN, assim como as outras escolas do Município, continua com suas portas abertas.
Hoje, pensando no que disse, assaltaram-me algumas dúvidas: a quantas andará o meu também glorioso GEPAN? Como são seus mestres? Como são seus atuais formandos e formados?
Estamos presenciando, atualmente, mais um movimento do magistério público por melhores salários. Como sempre, o Estado jura que está preocupadíssimo com a situação do ensino público, mas não tem recursos. Como sempre, apenas uns poucos professores apresentam-se para a luta. Como sempre, os alunos só se preocupam se terão que repor aulas. Como sempre, a Sociedade se divide entre quem consegue manter o filho na escola privada, quem sonha com esta possibilidade e quem ainda tenta, desesperadamente, manter o filho, ao menos, na escola pública. Os “políticos”? Bem, estes são profissionais; não dão ponto sem nó. Na verdade, pouquíssimas pessoas estão preocupadas com os objetivos do tipo de educação que a rede pública tem oferecido.
Tenho ouvido muitos afirmarem que está havendo um desmantelamento do sistema educacional, que o Estado abandonou o ensino público. Ledo engano. Aqueles que ocupam cargos onde as decisões são tomadas, assim como aqueles que dão sustentação política, social e financeira a estes ocupantes de cargos têm objetivos claros: não querem dividir o reinado e, muito menos, largar o osso. Sabem qual é o tipo de estudante, professor, operário ou família que desejam. Enfim, sabem qual é o tipo de sociedade que permitirá que continuem nadando de braçada neste mar de lama que o país tem sido há 495 anos.
Comparada à maioria das cidades brasileiras Cosmópolis possui uma considerável estrutura de ensino de 1º e 2º graus e, além disso, está construindo uma unidade educacional que se pretende seja inovadora. Talvez estejamos vivendo o momento de iniciarmos um debate em busca de propostas adequadas às nossas potencialidades e necessidades. Pode ser que consigamos ir além da tradicional choradeira às vésperas de datas-base e vestibulares. Para sairmos desta pasmaceira intelectual é preciso que os estabelecimentos de ensino entreguem à sociedade algo além de futuros desempregados tecnicamente qualificados.
Bem sei que vão dizer que só critico, que, para mim, nada está bem. Então, fica aqui uma sugestão: que tal todos os interessados na questão, que eu sei são pouquíssimos, mobilizarem-se para a realização de, por exemplo, um SEMINNÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO aberto a toda a sociedade cosmopolense?
Felizmente, há um saldo ecológico na situação: dificilmente um professor tem se sentido apto a chamar um aluno de burro, o que poupa a fauna de comparações pouco louváveis.
Com a palavra, os interessados. Ou os incomodados.
Shasça, 18/04/95
Ps 1: este artigo foi publicado num jornal de Cosmópolis – SP e GEPAN é o colégio onde estudei e tomei gosto por rabiscar minhas brincadeiras. Foi publicado no Jornal de Cosmópolis, em 22/04/1995.
Ps 2: apesar da magistérica efeméride comemorada no 15 de outubro de todo ano, a publicação do artigo não tem a intenção de homenagear aos homenageados do dia. Mesmo porque, muita coisa deve ter mudado de 1995 pra cá. Muita água passou debaixo da ponte do Pirapitingüi. Né mesmo?
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