27 outubro, 2007

E A SAÚDE O QUE É?

“hospitais são onde eles tentam matar você sem explicar por quê. a fria e calculista crueldade do hospital americano não é causado por médicos que estão sobrecarregados de serviços e que estão habituados e entediados com a morte. é causada por MÉDICOS QUE GANHAM DEMAIS PRA FAZER TÃO POUCO e que são admirados pelos ignorantes como feiticeiros que curam, quando na maior parte do tempo não sabem diferenciar seus próprios cabelos do PÍÍÍÍÍÍ de barbas de milho.”

(BUKOWSKI, in Notas de Um Velho Safado)

Pois é... Como o Velho Buck escreveu isto aí na década de sessenta, of course que muita coisa mudou, né?
Ao contrário de muita gente e baseado na minha experiência como funcionário do Posto de Saúde de Cosmó por pouco mais de dois anos, acredito que os serviços de saúde pública melhoraram. Tínhamos, à época, um jeep antigo e 20 litros de gasolina por mês, para, entre outras tarefas, visitar pacientes com tuberculose ou lepra, crianças e gestantes com vacinas atrasadas e ainda pro Seu Pereirinha fiscalizar estufas com coxinhas que mais pareciam quibes e por aí afora. Ao volante, Gil e seu bigode (já o citei em outra postagem aqui neste blog).
Quem viu ou foi atendido por esta estrutura não pode, se razoavelmente livre da hipocrisia, sair repetindo como um papagaio: A SAÚDE ESTÁ FALIDA! A SAÚDE ESTÁ FALIDA!
Os castos anti-lulinhas pode ficar tranqüilo. Estou dizendo que a saúde pública melhora desde Hipócrates e desde as benzeções de Vó Rosa. Quando aparece nos hemorrágicos telejornais entre sete e nove da noite uma agente de saúde pendurando uma balança num galho pra pesar uma criança lá na Amazônia, logo se diz: este é mais um sinal da falência da saúde pública no Brasil. Ora, até recentemente aquela criança só notaria se seu peso está ou não nos conformes, quando começasse a ler revista besta e a se comparar aos astros de novela.
Aqueles, poucos, que têm o imperdoável gosto por História, a mãe do conhecimento, sabem que já tivemos até uma tal Revolta da Vacina, lá no Rio de Janeiro. Os que tiverem alguma curiosidade em conhecer algo a respeito podem acessar
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_da_Vacina .
Quantos países têm um sistema de atendimento como o SUS? Mesmo considerando fatos como uma pessoa mal-informada (ou má relacionada) morrer num corredor à espera de socorro ou uns poucos bem-informados (ou bem relacionados) terem acesso a cirurgias de redução do estômago ou trocar bingolim por pereca, o viver era bem pior antes dele. Claro que precisa melhorar. Porém, para reformarmos a casa, é preciso conhecer a mesma.
Eu cá, vejo que os equipamentos e instalações melhoraram. Falta melhorar o ponto crucial da máquina: o atendimento. E aí é que pega: o humano continua o mesmo, nestes milhares de anos. O funcionário público, em geral, por se considerar eterno e intocável em sua paralisante função, tende a nos olhar com desdém. Por isto o texto do Bukowski inspirou-me.
Bem, como o propósito aqui não é polemizar, vamos subir a viga. Há uma certa rede de farmácias que disponibilizam medicamentos básicos a preço de banana. Talvez, teu médico te diga:
- “Estas coisas do governo não são de confiança. Dê preferência às farmácias tradicionais e às recomendações dos artistas que garantem que usam esta cola pra dentadura, aquele remédio que levanta ou aquele outro que abaixa.”
Experimente ser curioso(a) e mande o gato do provérbio catar coquinhos. Dê uma olhada na tabela de preços que está em
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/medicamentosfarmaciapopular.pdf ou disque para 0800 61 1997.
É simples: se tiver saúde, não precisa de remédios; se precisa deles, compre onde é mais barato; vai sobrar mais pro leite ou pra cerveja.
E, lembre-se, cerveja previne pedra no rim e não contém soda cáustica.
{8¬)

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