26 janeiro, 2008

COMOVENDO PELA ALEGRIA

Olhaí minha big Joicemiga dizando a que vem:

Sobre este vídeo
É a história real de Portadores de Necessidades Especiais da Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba/MG.
Categoria: Educação
Palavras-chave:
ADEFU Episódio Vídeo Boutique Necessidades Especiais

Ps.: como dizem os conterrâneos de minha Cumadi Joice: não tá morto quem peleia!

16 comentários:

Susannah disse...

Olha, uma sociedade que exponencia os seus "diferentes" é uma sociedade doente, pois ainda não conseguiu livrar-se da culpa de ser ditadora de padrões de normalidade. É claro que um vídeo dessa natureza pode comover os cristãos corações que se purgam do fato de não fazerem parte dessa tribo de deficientes e de darem "graças a deus" por serem "perfeitos". Ora, é claro que ainda o problema da não inclusão dos deficientes físicos continuará, porque precisamos deles para acentuar nossa culpa. A sociedade precisa deixar de ser hipócrita e adequar-se a todos, independentemente da natureza física com que os seres humanos fazem as ações diárias de comer, andar, correr, pentear-se, etc. O que existe hoje é um apartheid social para essas pessoas, que infelizmente, precisam gritar para serem ouvidas e vistas. Não gostei do vídeo, principalmente pela música piegas de fundo que tenta tirar lágrimas e penas do espectador e pouco desenvolve nele o espirito crítico como cidadão.

Shasça disse...

Susanna,
Creio que vc não percebeu que os partícipes do filme não se apresentam com caras de desolados ou pedintes. Pelo Brasil afora, existem várias maneiras das pessoas se relacionarem. Felizmente ou não.
Ademais, pode ser que o vídeo intencione apresentar pessoas que vivem de maneira diferente, não desenvolver qualquer senso crítico em quem o assiste.

susannah disse...

Mas eu não me referi aos "atores" do filme, que não têm nada a ver, não pedem, apenas foram flagrados pela câmera que quer documentar o modo como eles são, e dizer com todas as letras, ou pixels, que eles são diferentes e que eles precisam de ajuda etc etc etc e a montagem do vídeo é que pede algo, a música de fundo é portadora de segundas e terceiras intenções e não deixa o espectador livre pra pensar. É um vídeo que manipula e monológico no seu discurso. Se muitos não notam isso é porque já sucumbiram à lavagem cerebral do discurso da imagem monopolizadora dos sentimentos alheios. A tv é mestre nisso...

Yon disse...

A "música piegas" no fundo (frente?) do vídeo é "Fake Plastic Trees" do Radiohead. Não é apenas uma bela música, mas se vc prestar atenção na letra, tem muito a dizer sobre o assunto do vídeo em si - mesmo que não o diga de uma forma óbvia. Fica a cargo do "espírito crítico" do cidadão entender a mensagem, se for capaz.

Isto é algo bacana de uma obra de arte, ela permite que você possa entrar em contato com outras visões de mundo. Pode ser também um espelho desconfortável - como parece ter sido o caso aqui – pois, mesmo que não tenhamos gostado do que vimos no vídeo, devemos agradecer a riqueza de conteúdo e a coragem de mostrar, de expor a diferença, de nos obrigar a encarar a realidade da diferença. Eu prefiro muito mais assistir a um vídeo que, como este, estimula a auto-análise do que qualquer outro que se limite ao "politicamente correto".

Anônimo disse...

Eu acho que não fui compreendida. Eu acho que as personagens do vídeo merecem atenção e cuidados. Entendendo que nossa sociedade faz a maior diferença e preconceituosamente exclui aqueles que não são sadios, inteligentes, etc... Mas estou falando do conjunto do vídeo. A música é bonita, concordo com o Yon. Mas veja que a melodia é "embaladora", por conta dos acordes etc e tendo as imagens ao fundo, vc acaba como que seduzido pela imagem e isso para mim é manipulação de sentimentos, o vídeo quer comover e se esse for o caminho para despertar no outro a consciência crítica, é um caminho válido, mas manipulador porque não deixa o espectador distanciado das imagens. Ele é "embalado" por elas junto ao som e o que faz é dizer: coitados! poxa! Eu sou da opinião de que uma consciência crítica deva ser cultivada por meio de mecanismos não manipuladores, mas por mecanismos que realmente discutam a problemática da exclusão em nossa sociedade. Eu não vou ficar mais comovida ou ter minha consciência crítica melhorada por meio do vídeo. O vídeo é para um tipo de público que ainda não conseguiu se libertar de uma inteligência puramente emocional e romântica. E, sinto muito, o vídeo não tem nada de artístico.

Yon disse...

Bom, quem sou eu para dizer que seu conceito de arte precisa ser revisto, não é? Ele me parece um pouco limitado e possivelmente elitista, mas posso estar enganado, porque reconheço que não a conheço o suficiente para dizer isto, e não quero parecer preconceituoso.

Talvez por estar inscrito entre o "tipo de público que ainda não conseguiu se libertar de uma inteligência puramente emocional e romântica", minha leitura foi um pouco diferente. Vi pessoas (não "deficientes") convivendo, com alegria e respeito, em um ambiente que não os trata como cidadãos "menores". Acho que o vídeo é excelente por mostrar que ações políticas como esta podem fazer a diferença no nosso mundo.

No mais, acredito que separar consciência crítica e participação política consciente de inteligência emocional é uma falácia muito comum. Felizmente cada vez mais pessoas estão pecebendo isto. Afinal de contas, como seria possível entender um poeta maravilhoso, ao mesmo tempo romantico e político, como Pablo Neruda, sem usar sua inteligência emocional? Talvez seja interessante você considerar que é possível ampliar o conceito de inteligência, abarcando nele outras "inteligências", que talvez não sejam menos importantes.

É uma pena que você tenha se sentido manipulada. Acho que um dos aspectos mais interessantes da arte é ter esse caráter aberto: cada pessoa vai ver na obra muito de si mesmo, afinal, de acordo com sua visão de mundo.

Algumas pessoas chamaram "Tropa de Elite" de facista, não é incrível?

Anônimo disse...

Bom, se vc chama esse vídeo de arte, então o seu conceito de arte é bem diferente do meu... O vídeo é bem feito, comove, emociona, e se isso é manipulação das emoções. Eu não me sinto manipulada porque não caio no jogo fácil de produções como essas. Elas visam o aspecto catártico antes de tudo. è uma maneira de sensibilizar o outro para o assunto. Tudo bem. Eu particularmente, não gosto desse tipo de produção. Tenho bem claro pra mim que Pablo Neruda é romântico e sensível e político. Mas Pablo Neruda não é nenhum gênio. Eu gosto dele, mas isso não me leva a colocá-lo em pé de igualdade com João Cabral de Melo Neto, que, para mim, é superior. Detesto o uso político do poético nos termos de trabalhar os conteúdos de uma forma intensa em detrimento da forma. O vídeo traz uma estratégia formal muito conhecida, não nos dá trabalho para pensar, somos embalados pela música e pelas imagens. Ele consegue o seu objetivo, mas dizer que ele é arte... aí são outros quinhentos. É como dizer que Tropa de Elite é arte, é cinema. Depende do conceito de cinema que cada um tem. Tropa de Elite é um bom filme, bem feito, faz a gente pensar, trabalha com o "realismo" das imagens, e com um conteúdo que tem a ver com nossa época: violência, polícia, banditismo etc etc... Precisamos de obras que nos saciem pq estamos em busca de respostas. Outra coisa: se vc achou que eu dirigi a vc minha crítica, está muito enganado. Não chamei sua percepção de romântica. Se vc se encaixou nesse modelo, não é meu problema. Romantismo é bom. Mas usá-lo para mobilizar o outro é golpe baixo...

Eduardo (pituca) disse...

Sem querer me aprofundar no debate, acho que o vídeo tem um apelo comovente e nos remete à reflexão. Eu estava totalmente envolvido aqui no meu contexto, no meu individualismo, quanto o link me chegou. Parei um momento para pensar sobre a nítida alegria e a naturalidade dos "atores". E estou me envolvendo no assunto. Pra mim, missão cumprida! O vídeo e a publicação no blog surtiram efeito. Estamos debatendo. A deficiência está em nós, eles tiram "de letra" e sobrevivem com desenvoltura, a despeito da adversidade. Mesmo que a sociedade continue "retardada" na tal inclusão, o vídeo nos alerta sobre o nosso papel individual neste cenário. Me parecem felizes e tenho inveja dessa felicidade. Porque é dilacerantemente real e verdadeira.

Silvia disse...

Infelizmente a reação de algumas pessoas a algo diferente traz emoções não desejadas. Emoções classificadas por elas como menores. Daí comentários agressivos.
Pq não aproveitar o exemplo e tentar lidar com a mesma naturalidade das felizes pessoas do video?
Acredito q possa ser um bom começo.

eduardo (pituca) disse...

Isso, emoções como estas devem existir para iluminarem o nosso lado escuro.

Anônimo disse...

Realmente ninguém entendeu nada do que eu falei aqui... Eu não fui agressiva, nem disse que o vídeo não comove. Vcs estão fazendo um comentário em termos do conteúdo do vídeo e eu em termos da forma com que ele foi feito. Vcs falam da espontaneidade dos personagens, claro! Eles são assim, foram flagrados no seu contexto simples e espontâneo. Afirmar que "o vídeo nos alerta sobre o nosso papel individual neste cenário" é não perceber que essa "mensagem" é construída por nós mesmos, pois o vídeo apenas mostra os personagens... Quem constrói toda a leitura em cima somos nós... E, de uma vez por todas, não estou falando que o vídeo é ruim e que não "toca" as pessoas. Claro que toca! Mas é sobre a maneira como faz isso que teci um comentário. Enfim: falo de "forma", "construção" e não de "conteúdo", "temática", e vcs estão misturando as duas coisas naquilo que falei...

eduardo (pituca) disse...

haaaammmm bão...

Joice disse...

Gente
Super interessante observar a visão de cada um de vocês em relação a essas Pessoas que são constantemente alvo de pré conceitos; independente de quais sejam.
Fui eu quem produziu este vídeo.Essa história partiu de uma 'sincronicidade', termo utilizado por Carl Gustav Jung em relação as coincidências significativas, ou seja, fatos demasiado improvavéis para serem resultados de um simples acaso. Ou vocês crêem que esse tempo e
energia trocados na retórica do debate é fruto de um mero destino?
Esta percepção nos dá uma nova consciência na vida. Ferramenta de que essas pessoas também são portadoras, consciente ou inconscientemente. Pode ser que eles percebam o porquê dos fatos e esse seja o dispositivo da alegria espontânea destes 'atores' da vida real.
Em dezembro de 2007 eu estava em Uberaba/MG, para uma pesquisa sobre UFOS, outro foco.
Conheci Rosangêla, que trabalha na ADEFU. Rosangêla namora um deficiente físico, fato que é visto como antinatural perante a sociedade (lê-se: familia, amigos e similares).
Por que?
A Associação é um lugar em que as pessoas convivem muito bem com a diversidade e com suas próprias limitações.Essa é minha opinião, depois de passar apenas uma tarde neste convívio.
Sempre carrego uma camêra comigo e nesta tarde não foi diferente, apenas no detalhe de partir desses amigos especiais a idéia de gravar a ocasião para colocar no youtube, como um ´filme coletivamente pessoal'. Porque alguns dos Associados da ADEFU, também tem uma vida virtual, uma válvula de escape, afinal aqui é o lugar em que se cria personagens, inclusive com braços e pernas, caso não tenha um deles. Nesta situação, o objetivo do vídeo foi pessoal, e continuou sendo, tanto p/ mim qto. para todas essas pessoas Especiais que se enxergaram e realmente acreditam nos seu super poderes!E depois dessa polêmica eles e eu podemos confirmar que realmente os possuem, mesmo que algumas pessoas ainda acreditem que são deficiências.
Entendo que seja um processo assimilar essa realidade para a maioria das pessoas. Como eles podem estar dando risadas se não caminham? Como são felizes com suas limitações vísiveis? Coisa que nós, considerados 'normais', tentamos esconder: limitações!
Gente Tudo isso tem um motivo! |Eu não posso dizer qual, porque são respostas individuais. Eu que tive a oportunidade de conviver com esses Amigos, tenho uma impressão. E cada um de vocês terão as suas!
Qual é o mérito da questão?
Tudo de Bom p/ nós e Valeu pela polêmica!!!!
AqueleAbraço

Yon disse...

Fala Joyce,
parabéns pelo video! Quanto à polêmica... o Shasça agradece. Ele adora quando a galera se pega no Blog :-)
Grande abraço!

Shasça disse...

No fundo - e no raso, eu adoro vcs todos.
Brigadim pelo entrevero!
{8¬)

Anônimo disse...

Bem, eu não falei das pessoas do vídeo. Eu falei do vídeo enquanto construto, enquanto estrutura... E a linguagem do vídeo tem o recorte e a intenção de quem fez e do que quis mostrar, guiado por algo, sei lá o quê. O meu comentário foi em cima disso, quis estar o mais distanciada possível e NÂO coloquei no meu comentário como EU penso, mas como a sociedade pensa, que não é necessariamente o meu pensamento...
Vocês não conseguem ver forma, ´mas tão-somente conteúdos...
Bjs a todos!