19 novembro, 2015

NÃO MAIS MARIANA’S!


A que serve uma área alagada de resíduos altamente perigosos, cujo volume aumenta indefinidamente? Quantas barragens abarrotadas de resíduos de mineração temos no País?
Muito se tem lamentado, falado, escrito, orado e memetizado sobre a TRAGÉDIA ocorrida na BACIA DO RIO DOCE, com o rompimento da barragem destinada a armazenar resíduos de responsabilidade da mineradora SAMARCO. Para piorar, há o risco do desmoronamento de outras duas represas do mesmo tipo e na mesma bacia. Como quase sempre, oferece-se a oportunidade para que políticos eleitos e derrotados, jornalistas sensacionalistas, analfabetos virtuais e eco-catastrofistas de plantão se esbaldem com a tragédia do momento.
O Humano, em geral, atém-se ao fenômeno, que é palpável e carece de pouco esforço para ser notado. Poucos se dedicam a refletir sobre as causas e, principalmente, formas de eliminação das mesmas com o objetivo de se evitar a repetição do estrago. Já aconteceram OUTROS ROMPIMENTOS e, pelo jeito, o fato voltará a ocupar as manchetes ainda por um bom tempo. O raio pode até não cair duas vezes no mesmo lugar. Porém, há sempre o risco de cair na vizinhança.
O passo fundamental - que deveria ter sido dado na implantação desta e de qualquer outra mineradora - é exigir, antes de autorizar sua instalação e funcionamento, o projeto do sistema de tratamento dos resíduos. Como esta exigência não foi apresentada antes, que seja do presente momento em diante condição sine qua non para o desenvolvimento da atividade de mineração.
Durante um curso de gerenciamento de resíduos sólidos, uns 20 anos atrás, ouvi do ministrante que a razão da poluição industrial é simples: a empresa privatiza o lucro e socializa o prejuízo. Será que não estamos passando da hora de empresas, assim como indivíduos, também privatizarem o prejuízo que vierem a causar? Apenas multar, pois mais alto que seja o valor, não garante a interrupção do risco de dano. Todo mundo conhece histórias envolvendo motoristas com dezenas de pontos na carteira e que, impunes ou não, sobem na calçada e atropelam e matam pessoas. Multas, a empresa insere nos seus custos de produção, repassando-as para os de sempre: os consumidos – ops!, quero dizer, os consumidores.
Lamúrias apenas engordam os que sabem faturar com prantos e ranger de dentes. O Cidadão não se descabela. Age.


Ps.: saiba mais clicando nos HYPERLINKS (palavras realçadas).

5 comentários:

Cristiano Ozório disse...

Boa!

Cristiano Ozório disse...

Na UFOP existe um projeto já testado e comprovado que transforma rejeito de minério em blocos para construção civil. Custo para transformar a lama que vazou equivale a um dia da mineração. Sem fiscalização, apesar do alerta feito pelo MP em 2013, só fizeram encher ainda mais a barragem. Segundo um engenheiro de BH, provável causa deve ser a deposição maior e mais rápida que a capacidade de absorção. Concordei com a fala dele.

Paulo Cesar Rodrigues disse...

A informação é a base da democracia... muito bom o artigo.

Paulo Cesar Rodrigues disse...

A informação é a base da democracia... muito bom o artigo.

Shasça disse...

Tomara que as modificações na legislação pertinente incluam a exigência de se recuperar os resíduos e a proibição de barragens eternas. Num comentário anterior, Cumpadi Cristiano cita um sistema desenvolvido pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto.
Vamos acompanhar e cobrar!

http://www.dci.com.br/industria/desastre-em-mg-pode-alterar-legislacao-no-brasil,-diz-ministra-do-meio-ambiente-id510538.html