22 novembro, 2008

CONTRA AS COTAS

Sou contra a necessidade de cotas e à favor da sua existência.
Hein?! Mineirei demais?! Tucanei?! Nadica diso! Já, explico.
Embora seja a favor do sistema de cotas, desde que transitório, fico triste por acreditar que o mecanismo é necessário enquanto alternativa para as pessoas que não têm mais idade para voltarem aos bancos pré-primários (como se chamava no meu tempo e dispunha de melhor qualidade e, principalmente, maior grau de exigência). Melhor seria, se não fosse necessário.
Eu, como tenho 53 carnavais bem brincados, tive a sorte de estudar nos tempos em que havia grupo escolar. Devido ao comportamento fora do exigido pelo antiquado G. E. Wenceslau Brás (Passos – MG), fui castigado quase todos os dias: era obrigado a ficar na sala de Dona França, uma diretora muito autoritária, devorando livros. Enérgica, quando terminava seus afazeres de final de expediente, perguntava-me sobre o que eu tinha lido. Por causa desta tortura, tenho meia tonelada de traumas e o vício de garimpar em sebos. Como agradeço a ela!
Tempos idos. Boa parte dos professores do ensino fundamental não teria terminado a quarta série no Wenceslau. E eles sabem disso. Generalizando, como é de meu costume.
Voltando à vaca fria – ou às cotas, parece-me, às vezes, que, para os que já estão alforriados, de banho tomado e barriga satisfeita, a alternativa é passar uma borracha na geração que teve o azar de ocupar bancos escolares num momento inadequado.
Traçando um paralelo, sempre acho interessante o fato de que os participantes de debates sobre a fome, seja local ou mundial, estão sempre com jeitão de quem acabou de palitar os dentes.

Um comentário:

Renato Lélis disse...

E o que dizer agora da história de que 50 % das vagas nas universidades públicas serão para alunos do ensino público?
Bom para eles (os alunos)? Bom para o governo, que se isenta de investir na educação de base?
Péssimo para as instituições de ensino particulares, que depois de 15 anos de aval do governo para crescerem à vontade, levam uma chulapada dessas?
Será que vai ter vaga pra todo mundo no ensino público agoras? Quem vai controlar isso?
Será que essa medida paliativa tem o mesmo peso para o caso de cotas?
O que dizem os contra-cotas, que defendiam uma cota para a classe social e não para a raça, será que acham que essa postura do governo agora está correta?