13 dezembro, 2010

OPINIÃO: A IMPRENSA, PRATES INCLUSIVE

Pelo TWITTER, um amigo pergunta-me que penso de LUIZ CARLOS PRATES. Não sei qual o grau de importância tem minha opinião sobre o conhecido jornalista do GRUPO RBS. Ainda assim, lá vou eu. É um bom gancho para avançarmos o papo.
Comecemos por outro momento.
Durante a campanha da eleição presidencial de 1989, parte das pessoas espantou-se ao entender que a FOLHA DE SÃO PAULO apoiava a candidatura de FERNANDO COLLOR DE MELLO. Naquele tempo, eu estudava na UNICAMP e lembro-me de um dos professores da Sociologia, Plínio Dentzien, ironizando, perguntar a alguns colegas:


Então, vocês acreditavam que a Folha fosse um jornal de esquerda?


Também tive um colega de trabalho, à mesma época, que costumava dizer que o mal da ESQUERDA tinha sido ler apenas a Folha de São Paulo enquanto a DIREITA lia o ESTADÃO e também a Folha.
Como simpatizante (e praticante sempre que possível) do ANARQUISMO, sempre me interessei por todo tipo de informação, procurando me livrar de pretensas catequeses. Assim, até programas do AMARAL NETO eu assisti enquanto lia A REVOLUÇÃO DOS BICHOS ou entrevistas como a de Che Guevara na revista REALIDADE. Tudo o que for interessante me interessa. Parece redundância, não?
E todas estas histórias para dizer o quê? Que, simplesmente, todo tipo de opinião chama-me a atenção e, principalmente, alimenta e transforma meu senso crítico. E este senso é que faz de mim um ser vivo.
Vejamos estes vídeos:








Muitas das pessoas que concordam com a argumentação do primeiro não concordam com a do segundo e vice-versa. Entretanto, é o mesmo Prates, com o qual concordo nalguns momentos e quase concordo ou discordo totalmente noutros. Tranquilamente.
Tenho visto vários órgãos de imprensa, reais e/ou virtuais, a bradar receios de (sua) liberdade de opinião estar sendo ameaçada por diabólicos planos do MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÃOES que, segundo afirmam, pretende reinstaurar a CENSURA no Brasil. Um bocado de leitores bem intencionados reverbera esta preocupação. Quando vejo manchetes e faixas pleiteando direitos – à liberdade de expressão, por exemplo – sempre procuro alguma outra, mesmo que pequenina e com letras semi-apagadas também exigindo responsabilidades e deveres. Nunca vi. Caso alguém tenha a imagem de alguma, envie-me, por favor.
Sem matar a cobra, que nada tem a ver com isso, nem mostrar coisa alguma, cito um exemplo.
Em 28/11/2010, a Folha de São Paulo publicou o editorial EDUCAÇÃO PRECÁRIA, cujo primeiro parágrafo é o seguinte:

Tem se tornado cada vez mais grave o problema da falta de professores em escolas da rede estadual paulista. É possível encontrar em São Paulo alunos que chegam a ficar até seis meses sem aulas de várias disciplinas.
Oras, por que será que este mesmo jornal não questionou José Serra, ex-governador de São Paulo e candidato à presidência do País, quando o mesmo prometia colocar DOIS PROFESSORES EM CADA SALA DE AULA? Será que o tradicional jornal não dispunha de liberdade de expressão suficiente para denunciar as péssimas condições na rede estadual paulista de ensino? Mais que isto: como se sentem seus leitores e assinantes ao analisar as opiniões da Folha SP antes e depois das eleições? Esta situação era desconhecida do ESTADÃO, que declarou apoio ao candidato tucano de forma explícita (o que julgo louvável pela sinceridade)?
Por ocasião do episódio de salvamento dos mineiros chilenos, algumas pessoas citaram o filme A MONTANHA DOS SETE ABUTRES. Pois eu me lembro deste filme, desde que o assisti, todas as vezes que analiso uma notícia, artigo, editorial ou qualquer outra manifestação da Imprensa. Recebo as informações sem paranóia ou suspeição da existência de planos secretos. Recebo tranquilamente, repetindo o que escrevi antes.
É desta maneira que acompanho, às vezes, pelo rádio ou pela TV, os comentários de Luiz Carlos Prates: sem me escandalizar e, muito menos, como se fosse um momento de catequese. Em minha opinião, Prates diz o que pensa. Assim parece-me por nem sempre agradar aos setores “reacionários” - tampouco aos “revolucionários”, do público da RBS. PIRANDELLO disse: “assim é se lhe parece”. Sempre prefiro os que me parecem sinceros. Discordando e concordando, não necessariamente nesta ordem.

{8¬)

Ps.: para ir mais longe clique nos HYPERLINKS (palavras realçadas)

6 comentários:

Nelson da Cunha disse...

Qualquer contradição manifestada, desde que com siceridade de que propósito, faz parte do comportamento humano. O triste é o desejo de se manipular a visão alheia, jogando palavras em caracóis que ensombram os verdadeiros motivos da menção, o que vemos em profusão no comportamento midiático no Brasil.

Mara Farias disse...

Não gosto muito da imprensa em nenhum modo,ou irão esconder as verdades do terceiro setor ou irão esconder as mentiras da direita!

Sergio Ricardo disse...

A opinião orquestrada é sempre um malefício a sociedade, acho que pior que um idiota com opinião é outro idiota com poder de colocar notícias a seu bel prazer, como faz o Ali Kamel com o JN e tantos outros que omitem e mascaram os fatos. Infelizmente em alguns veículos existem 3 versões para um fato a dele, a sua e a verdade que jamais conheceremos.

Anônimo disse...

A imprensa brasileira criou uma aura sobre a mesma que nao existe em nenhum outro lugar do mundo.
Teno + canallondres.

Vany disse...

Meu #twigo, clap clap clap. Seu artigo é muito atual, em qualquer época do ano, década, século e enquanto existir o ser humano - e não necessariamente a imprensa, longe de refletir a liberdade de expressão de um povo. Que o diga o Grahmma de Cuba, cuja Redação visitei pessoalmente apenas e tão somente para entender esta diferença na pele, já que aqui ou em outros países ditos "democráticos" as entrelinhas são muito mais embaixo. Sobre o Prates, eu, particularmente, dou aval a suas duas opiniões, seja porque - como jornalista - entendo que toda HISTÓRIA tem e terá sempre duas versões (no mínimo!) e porque sou agnóstica por opção. Onde o homem põe seu dedo há que se entender existir uma vontade política. E é quando Maquiavel entra em cena e trava, com outros filósofos, um intenso e - creio - inacabável diálogo. Do palco, Pirandello assiste, como você, eu e todos. O final... como naquele programa da Rede Globo... você decide! :S

BARRIGA_VERDE disse...

AGORA FALAR A VERDADE VIROU PRECONCEITO, ESTAMOS VIVENDO NUM MUNDO ONDE AS INVERSOES DE VALORES ESTAO VIRANDO AO CONTRARIO