02 setembro, 2006

PALPITANDO

Acabo de assistir CRASH (No Limite), dirigido por Paul Haggis.
É uma história de natal, com algumas situações tensas, muita gente diferente não se entendendo, uma tragédia e, como quase sempre acontece nos filmes norte-americanos, o final feliz para uns poucos. A quantidade de encontros conflitantes entre diferentes raças (ou etnias, como gostam os doutos acadêmicos) nos possibilita pensar nos tais “preconceitos”.
O termo está assim entre aspas devido à minha antiga descrença na existência de preconceitos. Claro que sei que estou duvidando de uma parte do conhecimento adquirido, ruminado e difundido por e entre os vários logos: antropólogos, sociólogos, psicólogos e etc.
Ora, tenho dificuldade em imaginar o recém-nascido, logo ao escapar do receptáculo materno, abrir os olhos e, ao ver que uma das enfermeiras é negra, abrir o berreiro com medo de ser assaltado. Também não consigo acreditar que o mesmo ou qualquer outro humano em construção olhe para um índio e já saiba que ele é indolente; para um alemão e já saiba que ele é frio; para um “turco” (como costumamos chamar todos os árabes e, nem sempre, os turcos) e já saiba que ele é unha-de-fome.
Os tais “preconceitos” são conceitos constantemente elaborados e difundidos no estilo de conviver deste predador dos predadores: o nada solidário homo sapiens. São armas distribuídas pelo grupo para serem utilizadas no enfrentamento com os diferentes. Assim como a tolerância e o respeito mútuo, sempre acompanhados de um sutil desde que... enquanto pais e mães continuam a ensinar aos meninos a agressividade e às meninas o choro como instrumentos de conquista por um lugar ao sol. Ou à lua; façam suas escolhas.
Calma! Sei que existem exceções. Conheço várias e sinto-me feliz por este privilégio.
Enfim, a meu ver, classificar esta maneira de tratar o próximo, e o distante, de “preconceituosa” é escamotear este detalhe da nossa permanente participação na construção da humanidade. Que tal seria ACREDITAR nas diferenças ao invés de respeitá-las através de camuflados filtros e senões?
De toda maneira, este papo todo é apenas uma maneira meio punk de convidá-los a assistir o filme e, principalmente, papear a respeito. O caso é que, como diz o Nelson Rodrigues, o Homem é o estilo. E eu, assim como todo mundo, tenho alguma resistência em transformar o meu.
Então...

3 comentários:

Lu disse...

Falemos do philme ao vivo! Eu gostei!
Apareça p'ra conhecer a nossa casa nova. Talvez tenha pudim!!! Kchaça certamente tem!

madalena disse...

::
adicioce à sua lista de excessões o tfato de eu ter te gostado antes de te conhcer, por tu ser o homem da clarissa, de quem eu gosto um tanto grande.
é pré-conceito...gostei antes.
e tenho muito disso.
eu sou mesmo uma pré-conceituosa.

madalena disse...

::
eu acho mais umas coisas ainda,
mas fiquei com preguiça de elaborar.